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Bomba de insulina assegura mais qualidade de vida ao paciente diabético

03/05/2016 18:15

O relógio do paciente diabético é a insulina, que regula a hora de acordar, de comer, de fazer atividade física, para que possa manter a glicemia sob controle. Se o paciente tem que aplicar a insulina às 8 horas, ainda que seja num final de semana, ele terá que cumprir o horário. As observações foram feitas pela enfermeira Tainá Pizzignacco, ao apresentar hoje o tema “Sistema Integrado de Bomba de Insulina. Quando indicar e como funciona”. Mas com o uso da bomba de insulina que garante programação individual e personalizada – observou – o paciente não precisa acordar no horário habitual. Além do fim das agulhadas, a ferramenta possibilita melhor controle glicêmico e melhor qualidade de vida.

E qualidade de vida para quem tem doença crônica, como é o caso do diabetes, embora um conceito individual, significa ter uma vida o mais próximo possível da que levam as pessoas sem doenças crônicas. A palestrante, que tem diabetes mellitus tipo1, usa a bomba de insulina, há mais de 12 anos, e leva uma vida normal. Ela apresentou estudos que mostram a redução de 87% dos episódios de hipoglicemia no período de um ano, nos pacientes que usam o sistema integrado da bomba de insulina.

Tratamento

Durante a palestra que marcou a terceira sessão mensal de atualização em diabetes deste ano, realização do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), por meio da coordenação de Educação em Diabetes e Apoio à Rede (Codar), Tainá Pizzignacco explicou que a bomba de insulina pode ser usada para todos os tipos de diabetes. Além do diabetes mellitus tipo 1 (DM1), em que o tratamento é feito necessariamente com insulina, também pode ser usada no diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e no gestacional, quando houver necessidade do uso de insulina.

Segundo a palestrante, o tratamento do diabetes tem como objetivos controlar a hipoglicemia, evitar as complicações agudas, prevenir as complicações crônicas (retinopatia, neuropatia, nefropatia) e contribuir para garantir qualidade de vida. Mas -pontuou – é preciso evitar a teoria do medo, porque não é critério legal. “Dizer ao paciente que se ele não se cuidar, ficará cego ou sofrerá amputações, não vai ajudá-lo a adotar uma vida saudável”,

Ao mostrar a evolução do sistema integrado de bomba de insulina – o primeiro protótipo foi apresentado em 1962- Tainá Pizzignacco disse que o diabetes é a segunda doença mais pesquisada no mundo – só superada pelo câncer. “Estamos aqui discutindo a bomba de insulina, em uso desde o início dos anos 80, mas as pesquisas já avançam sobre o pâncreas artificial, a grande esperança para os diabéticos”.

Enquanto o pâncreas artificial não se torna realidade, a bomba de infusão de insulina é a importante ferramenta para os diabéticos insulinodependentes, que têm indicação para pacientes com controle glicêmico difícil, hipoglicemia noturna, cetoacidose recorrente e aqueles que precisam de insulina em doses muito baixas, como crianças. Do tamanho aproximado de um pequeno telefone celular, as bombas de infusão de insulina liberam insulina através de um pequeno tubo e uma cânula (conhecidos como o conjunto de infusão), colocados sob a pele.

A bomba de infusão pode ser programada para liberar insulina automaticamente durante 24 horas, para controlar a glicose no sangue entre refeições e enquanto o paciente dorme. Pode também ser programada antes das refeições para liberar uma dose extra de insulina, correspondente à quantidade de carboidrato a ser ingerida.

Segundo a palestrante, a bomba de infusão de insulina é o método mais fisiológico para repor a insulina que o organismo precisa e, por isso, é definida como padrão ouro para o controle da glicemia. Embora destacasse a importância da ferramenta, ela também enfatizou a necessidade da contagem de carboidratos (não deve ser confundida com calorias) – ação que o Cedeba ensina aos seus pacientes crianças e adultos – da prática de atividade física e das ações de educação em diabetes.

A.M.V. Mtb 694/Ba
Cedeba/bombainsulina

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