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Hipotireoidismo é tema de webpalestra promovida pelo Cedeba

20/05/2021 15:59

Intolerância ao frio, fadiga, queda de cabelos, falta de libido são alguns dos sintomas do hipotireoidismo, condição na qual a glândula tireoide não produz hormônios em quantidade suficiente. O hipotireoidismo foi tema da webpalestra da endocrinologista Débora Angeli. A iniciativa do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), por meio da Coordenação de Educação em Diabetes e Apoio à Rede (Codar), em parceria com o Telessaúde, teve como público-alvo os profissionais da Atenção Primária de Saúde (APS). O tema da palestra foi escolhido para este mês porque 25 de maio é o Dia Internacional da Tireoide. Na programação da Codar consta, ainda este mês, vídeoaula sobre “Nódulos na Tireoide”, da endocrinologista Roberta Lordelo e perguntas sobre tireoide no Telessaúde.

Confira entrevista com Débora Angeli:

Qual a importância do tema hipotireoidismo para os profissionais da Atenção Primária de Saúde (APS)?
O hipotireoidismo é uma das doenças endócrinas mais comuns. O seu diagnóstico é feito usualmente por clínicos e, atualmente, também por outros especialistas, como ginecologistas e cardiologistas, conscientes dos seus efeitos indesejáveis. Os sintomas do hipetireodismo são geralmente inespecíficos, como intolerância ao frio, fadiga, dispneia aos esforços, queda de cabelos, constipação intestinal, diminuição de memória, aumento de peso, irregularidade menstrual, mialgia e falta de libido, podendo, portanto, comprometer muito a qualidade de vida. Mas, habitualmente, é de fácil tratamento e geralmente para toda a vida.

Qual a prevalência do hipotireoidismo? E igual a incidência em relação ao sexo?
As doenças da tireoide acometem cerca de 12% da população geral. A prevalência é maior em idosos do sexo feminino e nos indivíduos com anticorpos anti-tireoidianos. Até 6% das gestantes apresentam hipotireoidismo. Portanto, ao planejar a gravidez, deve ser feito o exame da tireoide, que consiste na dosagem do hormônio TSH. A mulher pode não ter hipotireoidismo fora da gestação, mas apresentá-la durante a gravidez, pois a tireoide pode não conseguir produzir todo hormônio necessário à mãe e ao bebê. O tratamento é feito com administração do hormônio da tireoide sem complicações para mamãe e feto.

Os sintomas são claros? Quais são?
Os sintomas do hipotireoidismo são geralmente inespecíficos como intolerância ao frio, fadiga, dispneia aos esforços, queda de cabelos, constipação intestinal, diminuição de memória, aumento de peso, irregularidade menstrual, mialgia e falta de libido. Ao exame físico, podemos evidenciar pele ressecada, unhas quebradiças, movimentos e fala lentificados, edema não-compressível (mixedema), hiporreflexia (diminuição dos reflexos do corpo) , bócio, bradicardia e hipertensão diastólica. Raramente, ocorre com todos os sinais e sintomas, mas na presença de vários destes devemos levantar a suspeita do hipotireoidismo.

Quem deve ser rastreado para o hipotireoidismo?
Mulheres em idade fértil ou maiores que 60 anos, gestante, tratamento anterior de radiação da tireoide, cirurgia tireoidiana ou disfunção tireoidiana prévia, Diabetes mellitus tipo 1 (DM-1) ou história pessoal de doença autoimune, Síndrome de Down, sintomas clínicos de hipotireoidismo. Uso de Lítio, amiodarona, interferon; Hiperprolactinemia (produção elevada de prolactina),Dislipidemia (gorduras elevadas no sangue), anemia e insuficiência cardíaca.

O tratamento exige o acompanhamento do endocrinologista?
Não necessariamente. O médico da atenção primaria está capacitado para diagnosticar e acompanhar os pacientes com hipotireoidismo. Em algumas situações especificas os pacientes com hipotireoidismo devem ser encaminhados ao endocrinologista.

Se o hipotireoidismo não for tratado, quais as complicações?
O hipotireoidismo ocorre quando a glândula tireoidiana não produz hormônios suficientes. Se os níveis de hormônio da tireoide são muito baixos, você pode ter fadiga, problemas digestivos, sensibilidade a temperaturas frias e irregularidades menstruais. A condição pode ser controlada com uso de reposição do hormônio tireoidiano. Se não for tratado, o hipotireoidismo pode levar a muitas complicações. Estes incluem problemas cardíacos como insuficiência cardíaca, lesões nervosas, infertilidade e em casos graves, morte. Na gestante, quando não diagnosticado e tratado, o hipotireoidismo levará à falta do hormônio da tireoide para o feto.

O desenvolvimento dos órgãos, que ocorre nas primeiras 12 semanas de gestação, depende dos hormônios da tireoide que vêm da mãe, já que o feto ainda não é capaz de produzir seu próprio hormônio. Quando o bebê não tem o aporte necessário dos hormônios tireoidianos nesse período, as consequências para a saúde dele podem ser irreversíveis como alterações da cognição, diminuição do quociente de inteligência, defeitos da fala e até retardo mental. O teste do pezinho, feito nos primeiros dias de vida do bebê a partir de gotinhas de sangue retiradas do calcanhar, é realizado para detectar, entre outras doenças, o hipotireoidismo nos recém-nascidos.

Qual a relação entre hipotireoidismo e obesidade?
Alguns pacientes que têm hipotireoidismo costumam se queixar do aumento de peso. O ganho de peso é normal devido ao metabolismo desacelerado, mas a disfunção tireoidiana não engorda. O hipotireoidismo pode ajudar a aumentar o peso porque o paciente gasta menos energia. Mas, se balancear a ingestão de alimentos, a tendência é não ganhar peso ou a alteração ser irrelevante. Por isso não se deve associar o hipotireoidismo à obesidade.

E nas pessoas com diabetes ?
A associação entre diabetes mellitus (DM) e doença tireoidiana é amplamente conhecida. Os distúrbios metabólicos observados no DM podem interferir nos níveis sanguíneos de hormônios tireoidianos, T4 e T3 livres, assim como nos de TSH, e as disfunções tireoidianas também podem influenciar o controle glicêmico. A prevalência da disfunção tireoidiana em populações de diabéticos varia entre os estudos, mas é maior que a observada na população geral. O hipotireoidismo primário está presente em 12% a 24% das mulheres e em 6% dos homens com DM1A. A disfunção tireoidiana tem sido menos frequentemente estudada nos pacientes com DM do tipo 2 (DM2). Dada a alta prevalência de tireopatias no DM2, estes pacientes também deverão ser periodicamente monitorizados com relação aos níveis de TSH (principalmente mulheres com história familiar positiva), mesmo que assintomáticos.

Ascom do Cedeba

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