O enfrentamento do luto pela morte do pai – cinco meses após o diagnóstico do câncer – e do desemprego, num momento tão difícil como o da pandemia da Covid 19 deixou Vanessa Pereira, 44 anos, sem chão. De agosto para cá, ela vive uma experiência que considera muito importante por ajudar a mudar seu estado mental: as aulas online de yoga, experiência piloto do ambulatório de Práticas Integrativas e Complementares –PICS – do Cedeba, criado há seis anos.
Vanessa, usuária do Cedeba há quase 17 anos, lembra que no início foi muito difícil porque a descoberta da doença – que se manifestou de forma abrupta, como acontece no diabetes tipo 1 – produziu um quadro de coma glicêmico.
Hoje, Vanessa, que aprendeu os caminhos do autocuidado no Cedeba, cuida da alimentação, incrementa os exercícios físicos (esteira, bicicleta, remo e pilates) e, agora também cuida da mente, por meio de exercícios de yoga.
Há três anos Vanessa iniciou um trabalho num grupo de práticas corporais para regulação emocional chamado corpo – mente, com a psicóloga Pilar Dacal, atual líder do ambulatório de PICS.
“As aulas de yoga estão fazendo a diferença porque têm produzido mudanças muito significativas, aumentando o meu equilíbrio e isso reflete na minha saúde”, afirma Vanessa.
Mais controle
Com diabetes mellitus tipo 1 desde os quatro anos, a jornalista Rosana Silva, 42 anos, é acompanhada há mais de 20 no Cedeba, onde descobriu as práticas integrativas e complementares no atendimento psicológico. Também participou do grupo Corpo- Mente em 2019 e há cinco meses vem fazendo aulas de yoga.
“Estou me sentindo muito bem. É um recurso a mais para melhorar e ajudar a controlar as emoções, reconhecer os sentimentos e ter maior controle sobre eles. Ajuda no autocuidado e no controle de certos hormônios que contribuem para a elevação da glicemia”, pontua a jornalista.
A líder do ambulatório de PICS do Cedeba, Pilar Dacal, responsável por ministrar as aulas de yoga, está muito satisfeita com os resultados. E espera avançar com aulas presenciais tão logo a pandemia permita.
“A yoga promove o relaxamento, o equilíbrio, ampliando a auto percepção e favorecendo escolhas mais equilibradas.”
Além da yoga, projeto piloto realizado a partir do curso de formação oferecido pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, o ambulatório de PICS oferece aulas de Reflexologia Podal, Reiki, Auriculoterapia e Homeopatia.
O início
O uso de práticas alternativas e complementares em tratamentos de saúde no mundo começou na década de 70, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) criou o Programa de Medicina Tradicional Chinesa (acupuntura). No Brasil, o PICS começou a ser concebido juntamente com a criação do SUS, na década de 80, mas a política só foi aprovada pelo Conselho Nacional de Saúde em 2006, com a Portaria 971 que criou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC).
O ambulatório do Cedeba teve como apoio importante na sua implantação a experiência bem sucedida do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hospital das Clínicas). As práticas, embora concebidas para a Atenção Básica de Saúde, estão cada vez mais sendo utilizadas em unidades hospitalares, inclusive para pacientes internados nas Unidades de Terapia Intensiva.
Experiência desperta atenção
A experiência do Cedeba com o ambulatório de PICS vem despertando a atenção de outras unidades da Sesab. Recentemente, representantes do Centro Estadual de Oncologia (CICAN) conheceram o trabalho e ficaram impressionados. Coordenadora de Reabilitação do Cican, a fisioterapeuta Juliana Paranhos, definiu as PICS como “experiência excelente com práticas que impactam na qualidade de vida dos pacientes.”