“O uso racional de medicamentos não é atribuição exclusiva do farmacêutico, mas deve ser atribuição de todos os profissionais que buscam a segurança do paciente”. A recomendação foi feita pela diretora da Assistência Farmacêutica da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), Renata Mundim, na manhã de hoje (26), durante a abertura do seminário “Uso Racional de Medicamentos: Somos Todos Responsáveis”.
Na oportunidade, o superintendente da Assistência Farmacêutica da Sesab, Luiz Henrique d’Utra, afirmou que a assistência farmacêutica é uma área muito difícil, e que “só é lembrada quando há falta de medicamentos”. Ainda segundo d’Utra, desde 2010 o uso racional de medicamentos já constava na política de saúde da Sesab, que vem desenvolvendo diversas ações em parceria com os municípios, buscando ampliar o acesso da população aos medicamentos. “Sem este acesso, é impossível fazer o tratamento”, concluiu.
O titular da Saftec pontuou ainda que diversas ações estão sendo desenvolvidas visando garantir o uso racional de medicamentos, entre elas um curso de especialização em farmácia clínica, “primeiro passo para uma atuação mais eficaz do farmacêutico nas farmácias hospitalares”; e também a possibilidade de os municípios poderem adquirir medicamentos a preços mais competitivos, ação muito importante para a Atenção Básica.
Segurança do paciente
“Contextualizando o Uso Racional de Medicamentos” foi o tema da palestra da diretora da Dasf, Renata Mundim, dando início à programação do seminário. Segundo a diretora, a base do uso racional de medicamentos é “o medicamento certo, na dose certa, no doente certo, ao preço certo”. Ainda conforme Mundim, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que mais da metade dos medicamentos prescritos são utilizados de forma inadequada.
Dados apresentados pela diretora da Dasf apontam que, no Brasil, o SUS gasta por ano, em média, 20 milhões de dólares em medicamentos, e a metade desses medicamentos é usada de forma inadequada. Em 2017, 19,5 milhões de pessoas foram internadas e pelo menos 1,3 milhões apresentaram algum problema relacionado a medicamentos. Transporte e armazenamento inadequados, não adesão ao tratamento e uso da medicação por tempo insuficiente são alguns motivos apontados pela farmacêutica para a não efetividade do tratamento.
Pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Farmácia, em 2019, constatou que 77% da população se automedicou nos últimos 6 meses, 47% pelo menos uma vez por mês e 25% uma vez por dia ou por semana e que os medicamentos mais usados foram os analgésicos (50%), antibióticos (42%) e relaxante muscular (24%), o que indica o não uso racional dos medicamentos.
De acordo com a diretora da Dasf, o uso racional dos medicamentos começa no diagnóstico correto, na escolha da terapia adequada, avaliação da resposta terapêutica e no constante monitoramento e avaliação da terapia. Por outro lado, o uso irracional de medicamentos pode levar ao risco da segurança do paciente, redução da qualidade de vida, agravamento da doença, aumento dos gastos com hospitalização e desperdício de recursos.
Estima-se que a taxa de erro na administração de medicamentos varia de 15 a 39%, que parte desses erros são evitáveis, e que a prevalência do erro aumenta de acordo com o número de medicamentos em uso – chamada politerapia.
Outros temas
O seminário sobre uso racional de medicamentos aconteceu durante todo o dia de quarta-feira, 26, abordando questões como experiências exitosas na promoção ao Uso Racional de Medicamentos na Assistência Farmacêutica e perspectivas de Uso Racional de Medicamentos no Centro de Infusão e Medicamentos Especializados do Estado da Bahia (Cimeb).