A Retinopatia Diabética(RD) é a complicação mais temida nas pessoas com diabetes, porque costumam associar a doença à possibilidade de perda da visão. E um dos maiores fatores de risco para o desenvolvimento de complicações oculares na pessoa com diabetes, segundo a retinóloga e líder da Oftalmologia do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (CEDEBA), Tessa Mattos, é o descontrole da glicemia.
A Prevenção e Controle da Retinopatia Diabética será o tema da webpalestra de Tessa Mattos, no próximo dia 19, às 15 horas, na sequência da programação de Atualização em Diabetes para profissionais de Atenção Primária à Saúde (APS), uma iniciativa do Cedeba por meio da Coordenação de Educação em Diabetes e Apoio à Rede (Codar), em parceria com o Telessaúde. A programação, antes da pandemia, era presencial, sempre na primeira terça-feira do mês, no auditório do Centro de Atenção à Saúde (CAS).
Exame de fundo de olho
De acordo com a especialista, a Retinopatia Diabética (RD) é realmente a complicação mais temida diante da possibilidade de cegueira em pessoas acima de 60 anos. Após 20 anos de diabetes, a chance de ter algum grau de RD – explicou – é de 90% no diabetes tipo 1 (criança e adulto jovem) e de mais de 60% nas pessoas com diabetes tipo 2 . Como a doença é silenciosa, nas fases iniciais o paciente não apresenta sintomas, mesmo já apresentando algum grau de RD.
Segundo Tessa Mattos, a única forma de detectar a RD é o exame de fundo de olho. Deve ser feito cinco anos após o diagnóstico para diabetes tipo 1 e, para o diabetes tipo 2, no ato do diagnóstico de diabetes, porque muitas pessoas convivem muitos anos sem diagnóstico. São as complicações que as identificam como diabéticas.
“Mas se o tratamento da RD for feito no tempo certo e o tratamento realizado adequadamente, o risco de cegueira diminui em 5%. Infelizmente, na nossa realidade, muitas pessoas só têm o diagnóstico ao apresentarem algumas complicações, como baixa de visão”, pontua Tessa Mattos.
Segundo a especialista, o maior fator de risco para a RD é o descontrole glicêmico. O exame de hemoglobina glicada, que dá a média da glicemia dos últimos três meses, precisa estar dentro dos padrões.
“É preciso evitar a variabilidade dos níveis de glicemia pois é bastante prejudicial oscilar entre hiperglicemia (200) e hipoglicemia (menos de 70). ”O tratamento padrão para a RD proliferativa, segundo a especialista, é a panfotocoagulação a laser. Existem medicações que são injetadas no olho, eficazes para tratar o edema macular diabético, a principal causa de comprometimento de visão em pacientes diabéticos “
Manter o diabetes sob controle sistêmico: hemoglobina glicada menor que sete, pressão arterial inferior a 13 – é muito importante na prevenção da retinopatia diabética, uma das complicações mais temidas da doença.
Entendendo a retinopatia
A retinopatia diabética pode ser de dois tipos: a não proliferativa, forma inicial da doença que é detectada quando os vasos do fundo do olho estão danificados, causando hemorragia e vazamento de líquido da retina, chamado de Edema Macular Diabético; e a proliferativa, diagnosticada quando os vasos da retina ou do nervo óptico não conseguem trazer nutrientes para o fundo do olho e por consequência, há formação de vasos anormais, que causam o sangramento.
A prevenção da Retinopatia diabética é muito importante, como explicou a especialista, porque a doença é silenciosa. O diabético pode não ter queixas de problema de vista e a RD, em alguns casos, já está instalada. A RD – informou Tessa Mattos – é a maior causa de perda visual irreversível e previsível em pacientes em idade laborativa (entre 20 e 74 anos) em todo o mundo.
Ascom do Cedeba