Residente de Saúde da Família, da Secretaria da Saúde de Salvador, Caio Matos teve ontem sua primeira experiência no estágio externo (de duração de um mês) no Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), no ambulatório de Práticas Integrativas e Complementares de Saúde (PICS), acompanhando os atendimentos em homeopatia feitos pela endocrinologista e homeopata Flávia Resedá. Foram quatro residentes em 2021, sete em 2022 e oito até julho deste ano.
Matos ressaltou que a comprovação científica dos efeitos das PICS deve ser um estímulo à sua difusão porque são procedimentos de baixo custo e de fácil aplicação. Graduado pela Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), é médico da Unidade de Saúde da Família (USF) do Garcia, tendo antes vivido rica experiência na Ilha de Maré, onde vivem remanescentes quilombolas.
Sua primeira impressão do Cedeba foi muito boa, tendo destacado o atendimento multidisciplinar. E esse foco, segundo a diretora e fundadora do Centro de Referência Reine Chaves, é ainda mais ampliado porque, na verdade “existe multidisciplinariedade”, com a interação dos vários profissionais da saúde. E, no ambulatório de PICS, cujo olhar integral vê os aspectos físico, emocional, espiritual, social e cultural, não é diferente. Como explica Flavia Resedá, “temos um corpo físico, mas também é preciso trabalhar o emocional e o espiritual. A energia é considerada a base de toda a vida é um fator fundamental para a cura. Os serviços oferecidos pelo ambulatório de PICS complementam o tratamento convencional, de forma integrada”.
Faz a diferença
O ambulatório de PICS do Cedeba está em funcionamento há quase oito anos, e, ao ser criado, contou com grande apoio do Hospital das Clínicas, da Ufba (Hospital Universitário Professor Edgard Santos). A técnica de Enfermagem Cecília Nascimento, 54 anos, está no ambulatório desde o início do seu funcionamento. Fez o curso de Reflexologia Podal na Ufba e, todas as tardes de quarta-feira, ajuda a aliviar as dores musculares e a reduzir a tensão de pessoas com obesidade (a maior frequência), diabetes e outras doenças endócrinas.
“Não falto às sessões de Reflexologia, porque esse atendimento faz a diferença”, afirma Rosimeire Santos, 43 anos, moradora do bairro de Castelo Branco. Há três anos em tratamento de obesidade – já passou pela homeopatia –, Rosimeire diz que a reflexologia podal a deixa mais calma e contribui para aliviar as dores. Embora tenha curso de técnica de Enfermagem, trabalha como cuidadora de idosos, trabalho que exige muita calma.
A Auriculoterapia, técnica derivada da acupuntura, que faz pressão em pontos específicos da orelha para tratar e diagnosticar diversos problemas físicos, mentais e até emocionais, também é muito bem avaliada pelas pessoas atendidas no ambulatório de PICS. A técnica é aplicada pela acupunturista, terapeuta floral, terapeuta integrativa e nutricionista do Cedeba Luciane Barros. Ela também conduz atividade de meditação às quartas pela manhã.
Para a usuária Edisilva Ribeiro de Santana Silva, o atendimento no Cedeba é excelente. Ao chegar pesava 110 quilos. Conseguiu reduzir para 76, mas voltou a ganhar peso por causa de outros problemas de saúde. O ambulatório também oferece Reiki (com a psicóloga Pilar Dacal e a nutricionista Alessandra Mariani). Segundo Alessandra, as pessoas que fazem Reiki relatam melhoria do sono, relaxamento e redução de dores. E a usuária Tania Maria Oliveira, 66 anos, garante que “com o Reiki, durmo mais e melhor”.
No mundo e no Brasil
O uso de práticas alternativas e complementares começou no mundo na década de 70, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) criou o Programa de Medicina Tradicional Chinesa – Acupuntura. No Brasil, o PICS começou a ser concebido com a criação do SUS, na década de 80, mas a política só foi aprovada pelo Conselho Nacional de Saúde em 2006. Dados de 2016 mostram que, até aquele ano, 1,7 mil municípios brasileiros já ofereciam PICS, sendo 75% da oferta na atenção básica, 18% na atenção especializada e 4% na atenção hospitalar, com um total de 2 milhões de atendimentos.
As PICS fazem parte da realidade dos usuários do Cedeba há quase oito anos, quando começou a funcionar o ambulatório com serviços que complementam o tratamento convencional, de forma integrada. Quem conhece, adora, como já ficou registrado em avaliação e, também, pela assiduidade ao ambulatório.
A expectativa dos pacientes quando vêm para o Ambulatório de Práticas Integrativas é diferente, porque eles associam com alívio e bem-estar. “As práticas integrativas tratam a doença no aspecto mais amplo do ser: complementando o tratamento físico, trabalham o extrafísico”, pontua Flávia Resedá, uma das idealizadoras do ambulatório de PICS do Cedeba.
O ambulatório do Cedeba se insere na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do SUS, – criada em maio de 2006, pela Portaria 971. O PNPIC faz o resgate da ancestralidade e se enquadra no conceito ampliado de saúde do SUS. As práticas, embora concebidas para a Atenção Básica, estão cada vez mais sendo utilizadas em unidades hospitalares, inclusive para pacientes internados nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI).