A Bahia esteve representada pelas médicas Karoline Apolônio e Lília Embiruçu, responsáveis pelo Núcleo de Cuidados Paliativos da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), em reunião da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), realizada na sede da Organização Pananamericana de Saúde (OPAS), em Brasília, na qual foi definida a Política Pública Nacional dos Cuidados Paliativos, que irá garantir maior financiamento na área de formação de equipes em cuidados paliativos e habilitação de serviços. A Bahia se destaca como o único estado brasileiro a oferecer assistência aos pacientes e familiares com necessidades paliativas e, principalmente, se importando com a redução de sofrimento.
O Ministério da Saúde define cuidados paliativos como uma abordagem que melhora a qualidade de vida de pacientes e famílias que enfrentam problemas associados a doenças que ameaçam a vida. O propósito desses cuidados é prevenir e aliviar o sofrimento por meio da identificação precoce, avaliação correta e tratamento da dor e de outros problemas físicos, psicossociais e espirituais. Entre as doenças que se encaixam entre as ameaçadoras estão o câncer, doenças neurodegenerativas, demência, doença de Parkinson, pneumopatias graves, hepatopatias graves, cardiopatias graves, pessoas com dor intensa associada a alguma doença ameaçadora.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 75% da população brasileira morre por doenças crônicas e a maioria das pessoas que têm doenças crônicas acabam precisando dos cuidados paliativos para buscar uma melhora na qualidade de vida e impedir a evolução das patologias. Atualmente, no País, não há oferta desses cuidados a todos que necessitam, com serviços pontuais. Relatório produzido recentemente pela Frente PaliAtivistas aponta que existem hoje cerca de 300 serviços que fazem cuidados paliativos no Brasil, a maioria em capitais e na região sudeste. No entanto, o número ideal seria de duas mil unidades espalhadas pelo território nacional, o que evidencia o quão fundamental é a implementação da política pública para aplicação de serviços paliativos em municípios diversos.
Segundo Karoline Apolônio, “em um cenário onde a fragilidade da vida se impõe, os cuidados paliativos emergem como um farol de esperança, proporcionando não apenas alívio físico, mas também conforto emocional às vidas afetadas por doenças ameaçadoras. No Brasil, o programa de cuidados paliativos da SESAB surgiu como uma luz inspiradora, moldando um caminho de transformação desde 2018. O Núcleo de Cuidados Paliativos, com gestão centralizada desde 2020, destaca-se como um modelo pioneiro em solo brasileiro”.
Ainda conforme Apolônio, essa jornada tem sido marcada por conquistas notáveis, expressas nos resultados positivos do programa em dois projetos vinculados ao Hospital Sírio Libanês, abrangendo áreas cruciais como comunicação e cuidados paliativos em rede. A expansão de horizontes do programa, através da participação no programa QELCA (Quality End of Life Care for All), traz consigo a promessa de “Cuidados de Fim de Vida com Qualidade para Todos”, uma iniciativa da instituição britânica St Christopher’s Hospice, referência mundial em Cuidados Paliativos.
O ano de 2023 é um marco importante na história dos cuidados paliativos na Bahia, destacando-se a participação marcante no movimento da frente PaliAtivista na 17ª Conferência Nacional de Saúde.” Os baianos se ergueram como protagonistas, defendendo com vigor a confecção de uma política pública nacional de cuidados paliativos, consolidando-se como os mais expressivos em votos e participação entre todos os estados”.
Sesab\Ascom
19/03/2026 16:40
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