Novos ventos positivos estão soprando sobre o Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba) – que completa 30 anos no próximo dia 24 de março (domingo) – no quesito educação, que sempre teve presença forte na caminhada do Centro de Referência. Ao fazer a avaliação, a coordenadora de Educação em Diabetes e Apoio à Rede ,Graça Velanes explica que “as pessoas com diabetes, egressas da Atenção Primária de Saúde (APS) agora, passam, em primeiro lugar, pela educação de grupo e posteriormente com a consulta de especialidade de endocrinologia.
A educação no Cedeba é realidade, desde a fundação do Centro de Referência, como destaca a coordenadora de Atenção à Rede da Codar/Cedeba, a assistente social e advogada, Júlia Coutinho, que participou da fundação do Centro de Referência. Na sua análise, no diabetes, como qualquer doença crônica, não basta o medicamento. “É preciso ser protagonista do seu autocuidado”.
A origem
O Cedeba ainda funcionava na sala do Anexo do Hospital Roberto Santos, mas já contava com reuniões semanais de educação, um trabalho que contou com a presença da enfermeira Regina Lúcia de Oliveira Sousa – já falecida – que dá nome à sala de educação do Cedeba. Depois, veio a Comissão de Educação, que evoluiu para a criação da CODAR. Com a chegada da enfermeira Graça Velanes, as ações de educação não pararam de avançar. Foi criado o Grupo Doce Conviver, liderado pela enfermeira Anna Claudia Perrota, para educar pessoas com diabetes, onde usuários aprendiam sobre diabetes, os passos para o autocuidado, e também sobre direitos e deveres da pessoa com diabetes.
Depois foi criado o Educa Diabetes que atende os novos usuários nas segundas e quartas-feiras e nas terças e quintas as pessoas que já estão em tratamento no Cedeba, e vem tomando “impulsos positivos” com a incorporação de novas ferramentas educacionais com o olhar nutricional das nutricionistas Suane Evangelista e Silvana Gomes.
A Codar também criou as caravanas de saúde, que despertam a atenção dos usuários nas salas de espera. Atualmente, acontece uma vez por semana, mas ganha força em datas comemorativas como a Páscoa, São João, Natal e Carnaval, “quando há necessidade de reforço de informações sobre os cuidados, possibilitando participar das festas, mas sem prejuízos à saúde”, explica Graça Velanes.
O trabalho de educação do Cedeba tem duas linhas de ação: é focado nos usuários e na qualificação dos profissionais de Atenção Primária à Saúde. Pela dimensão da Bahia, com seus 417 municípios, o trabalho de prevenção e assistência a pessoas com diabetes tem que acontecer em todos os municípios. Júlia Coutinho explica que “fazemos a sensibilização dos gestores municipais e, também, das nove Unidades Regionais de Saúde, para garantir a qualificação dos profissionais da Atenção Primária de Saúde.
Antes da pandemia da COVID19, os cursos de qualificação eram feitos presencialmente em Salvador. Mas a necessidade de continuar com o trabalho, mas de forma remota, ampliou a participação, segundo Graça Velanes. O curso de Atualização em Diabetes tipo 2 é realizado em parceria com a Escola de Saúde Pública e a Diretoria de Atenção Básica (DAB). Os números mostram a evolução. Em 2022, dos 417 municípios baianos, 69.8% participaram dos cursos, passando para 314 municípios em 2023 (74,3%).
Materiais Educativos
O trabalho educacional com grupos de pessoas com diabetes conta com importante suporte: o material educativo que encanta usuários e, também, caravanas de outros estados e países que visitam o Centro de Referência.
O material, concebido por técnicos do Cedeba, já foi reproduzido em vários países. Entre outros destaca-se os jogos de contagem de carboidratos, o jogo das cartas ( cuidado com os pés) e a diabetes inteligente. Também foram produzidos diversos folders e cartilhas sobre problemas específicos da pessoa com diabetes.
O rico material didático é muito importante para crianças e adultos. Na Brinquedoteca, a pedagoga Ceiça Cristo trabalha com as crianças e adolescentes, a partir do plano alimentar ( é pessoal) elaborado pelas nutricionistas, a contagem de carboidratos, ensinando-as a variar o cardápio. No caso de crianças de pouca idade, a participação da família é muito importante, explica Ceiça Cristo, porque o comportamento dos pais é fundamental para adoção de hábitos saudáveis.
Para a líder de Educação do Cedeba, Anna Claudia Perrota, no Cedeba desde 1994 – chegou no mesmo ano da fundação – o Centro de Referência segue pelo caminho certo “porque a educação faz a diferença. Não dá para cuidar de pessoas com diabetes sem o olhar da educação”, observou.
Na sala de educação, enquanto acompanhava a esposa Gracina Lobo da Silva, 63 anos, que está chegando para ser acompanhada no Cedeba, Washington Joao da Silva, 77 anos, estava muito satisfeito com os conhecimentos que adquiriu. Ele também tem diabetes – não é acompanhado no Cedeba -mantém a doença sob controle, mas “muita coisa que aprendi aqui hoje eu não sabia”, disse.
Ascom do Cedeba
19/03/2026 10:52
19/03/2026 10:27
18/03/2026 17:38