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Educação em diabetes no Cedeba vai muito além da contagem de carboidratos

15/07/2024 13:47

Na assistência multidisciplinar que o Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba) oferece aos seus usuários, o nutricionista define o Plano Alimentar, onde são estabelecidas as quantidades de carboidratos de cada refeição. Depois, a equipe de educação entra em campo para ensinar como fazer a contagem e, principalmente, as substituições para evitar a monotonia do cardápio e garantir a alimentação saudável, um dos passos importantes para manter o diabetes sob controle.

Para as crianças e adolescentes com diabetes (diabetes mellitus tipo1/ DM1) o atendimento na Brinquedoteca reforça a aprendizagem de forma lúdica. No caso de crianças de pouca idade os pais também precisam aprender hábitos saudáveis de alimentação e a desconstruir mitos que atrapalham o processo de educação em diabetes. Um trabalho que exige paciência, porque é preciso considerar a realidade de cada família. Uma realidade bem diversificada já que o Cedeba tem usuários de toda a imensa Bahia, muitos da zona rural.

MUITAS DÚVIDAS

No caso das crianças e adolescentes, quando saem da consulta, passam pela orientação da pedagoga Conceição Cristo – a tia Ceiça como eles a tratam. Com utilização do jogo “Contando Carboidratos”, produção da equipe de educação do Cedeba, ela mostra como fechar a quantidade de carboidratos de cada refeição, mas é preciso ir além.

Ela enfatiza a importância do uso de alimentos saudáveis presentes na zona rural, como as raízes (batata doce, aipim, banana da terra). Essa orientação é importante – explica- porque quando uma criança recebe o diagnóstico de DM1 há pais que até sacrificam o padrão alimentar dos demais filhos por acreditarem na necessidade de comer apenas alimentos integrais e diet.

Ela explica que alimentação da criança com DM1 deve ser a mesma dos demais integrantes da família. O que muda – explica- são as quantidades. É muito mais saudável comer batata doce do que o pão integral, rico em conservantes para poder permanecer fechado numa embalagem por longos períodos.

Muito satisfeito com as explicações da pedagoga,o trabalhador rural Roque da Silva Santos,do povoado de Serra Branca, a 35 km do município de Euclides da Cunha ,acompanhou a esposa Maria José Batista dos Santos, na consulta da filha Amanda de quatro anos. Ele aproevitou para tirar muitas dúvidas que o inquietavam. “Minha esposa não dá carne bovina à minha filha porque entende que a glicemia aumenta”. Ceiça Cristo explicou que carne bovina é proteína e na quantidade exata não conta carboidrato. Agora – pontuou – se um adulto come carne excessivamente, depois de algum tempo será transformada em carboidrato.

Roque também quis saber por que sua filha toma o leite e só depois de duas horas come o pão ou a raiz, como entende sua esposa. A pedagoga explicou que não há razão para evitar o consumo conjunto. Cada refeição – explicou – tem que considerar a quantidade de carboidratos. As combinações de alimentos podem ser feitas sem temor.

No trabalho com as crianças e adolescentes Ceiça Cristo ensina receitas saudáveis, muitas focadas no consumo consciente do total aproveitamento dos alimentos, como a farinha de maracujá, como preparar um suco saboroso usando o suco de uma laranja (uma apenas porque é preciso contar carboidratos), um pequeno pedaço de cenoura e outro de beterraba.

Como criança gosta muito de suco, Ceiça Cristo explica que os dois sucos que a pessoa com diabetes pode tomar à vontade (não contam carboidratos) são os de limão e maracujá.

Mesmo quando dá explicações para crianças de pouca idade, como a pequena Amanda, de quatro anos, Ceiça Cristo envolve os pequenos, ensinando a medir com as mãos o tamanho de uma porção de alimentos. Na Brinquedoteca as crianças também pintam, desenham, assistem a filmes educativos, espaço que torna a assistência mais alegre e mais colorida.

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