O clima do Carnaval, presente na decoração, nos nomes dos bloquinhos – para deixar os conteúdos mais leves, como “Só no Sapatinho” para explicar sobre os calçados adequados – despertou a atenção dos usuários do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (CEDEBA) para a programação da Caravana Educativa “De Bem com a Folia”, hoje pela manhã. Embora tendo como foco pessoas com diabetes, a atividade despertou a atenção de outros usuários. A avaliação foi bastante positiva. Antônio Carlos Santos e Jesus disse que vai trabalhar como segurança na Avenida Sete, mas aproveitará para curtir o Carnaval. Com diagnóstico de diabetes há dois anos, considerou a caravana educativa maravilhosa porque “pude reforçar meus conhecimentos e ampliar minha segurança”.
Com muita didática, o Grupo Educativo Educadiabetes, da Coordenação de Educação em Diabetes e Apoio à Rede (CODAR), trouxe informações importantes para quem vai cair na folia e, também, para quem vai viajar (principalmente o transporte da insulina). O primeiro bloquinho “Não tô a toa” trouxe os ensinamentos sobre os cuidados gerais para cair na folia. O modelo Vinicius (Vini), usado para aulas práticas, usava boné (muito importante para se proteger do sol), roupa leve, tênis(com meia) usado para caminhadas. Na pochete, o cartão de identificação de diabetes, glicosímetro, insulina e gelo seco, além do kit com 15 gramas de carboidratos para hipoglicemia, A enfermeira, Nathalie Sales dos Santos mostrou a importância também do uso de protetor solar e de óculos escuros.
Reforço importante
Para a coordenadora da Codar, Graça Velanes, as oficinas educativas, atividade de rotina, tornam-se temáticas em datas especiais, como Semana Santa, Natal. “E no Carnaval, por ser uma festa de grande apelo popular” esse reforço de conhecimentos é muito importante para que o folião com diabetes brinque com segurança.
Na Oficina educativa “De Bem com a Folia” a nutricionista Suane Evangelista apresentou o conteúdo do Bloquinho Tô Preparado, juntamente com a líder de educação do Cedeba, Ana Claúdia Perrota. A nutricionista explicou que “é muito importante ficar atento aos alimentos quanto à conservação e higiene. Na rua há opções saudáveis como a pipoca, o milho-cozido, frutas. Mas o ideal é se alimentar antes de sair de casa. Também levar na bolsa frutas secas é uma boa opção”. Ela também chamou a atenção para a hidratação (com água). A água de coco pode ser usada como lanche – e não como substituto da água, pois contem calorias.
Anna Claudia Perrotta chamou a atenção para os cuidados com a conservação da insulina. Jamais a insulina deve ser armazenada no congelador, já que a temperatura deve ser de 2 a 8 graus. E no ambiente externo, após aberta, até 30 graus. Com a elevação da temperatura – atualmente bem superior a 30 graus – quem for para a folia deve usar gelo seco. E nas viagens esse cuidado também deve ser observado. Diante da apresentação dos conteúdos, a usuária Maria Neusa Saturnino dos Santos, 61 anos, disse: “estou achando ótimo poder aprender mais”. Essa também foi a opinião de Maria Oliveira Rodrigues Cardoso, 61 anos, com pré-diabetes. Disse que vai brincar o Carnaval de olho nas orientações que recebeu.
A hipoglicemia, situação que exige atendimento imediato, foi o tema do “Bloquinho Doce Mel” apresentado pela nutricionista Silvana Gomes. Pessoas com diabetes devem brincar, mas atentas aos sinais de hipoglicemia, que se caracteriza pela queda de glicose no sangue (menor que 70 mg/dL). É importante corrigir rapidamente ingerindo 15 gramas de carboidratos de rápida absorção: uma colher de sopa de açúcar, três sachês de mel. Três ou quatro balas mastigáveis, ou 150 ml de refrigerante comum. Isso para a hipoglicemia nível I, explica a nutricionista (entre 54 e 69 MG/DL). Se a glicemia se mantiver nesse nível, após 15 minutos, repetir o processo. Em situações de hipoglicemia nível 2 (menor que 54 mg/dl), dissolver duas colheres de sopa de açúcar em um pouco de água e realizar nova medida pós 15 minutos. No caso de hipoglicemia grave (há perda de consciência) ligar para o SAMU 192. Colocar a pessoa em posição lateral enquanto espera a ajuda médica. Enquanto isso, pode passar mel nos lábios e na parte interna da boca (gengiva e lábios em pequena quantidade). Muito importante para brincar com segurança é identificar o posto de saúde mais próximo do circuito do carnaval.
Só no sapatinho
Quem já faz uso de calçado especial, deve usá-lo também para participar da folia. Para quem não está nesse grupo, a escolha deve ser o tênis que garanta conforto, segundo orienta a enfermeira Nathalie Sales. Mas é preciso observar que seja um tênis sem costura e que não aperte o pé. Uma dica importante: a compra de calçados (isso vale para qualquer pessoa) deve ser feita no final da tarde, quando o pé pode estar mais volumoso, por conta do seu uso. As sandálias de borracha que deixam o pé sem proteção não devem ser usadas, bem como os sapatos de saltos altos.
As meias também merecem atenção especial, como observa a enfermeira. Devem ser de algodão e trocadas todos os dias. Ao chegar em casa, após a folia, o tênis deve ser higienizado e colocado ao sol para evitar os fungos. Os cuidados com os pés, que fazem parte dos comportamentos do autocuidado nas pessoas com diabetes, não podem ser esquecidos, quando o folião chegar em casa. Examinar com cuidado a planta, o dorso e a lateral do pé para verificar a presença de bolhas ou calos. Depois do exame, a hidratação, que não deve ser feita entre os dedos, chama atenção a enfermeira.
Ascom do Cedeba
26/02/2026 10:46
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