De 26 a 29 de maio, 152 técnicos e gestores dos municípios de Cairú, Camamu, Igrapiúna, Ituberá, Gandu, Nilo Peçanha, Taperoá e Valença, todos da Macrorregião Sul, participaram de uma capacitação promovida pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesab) voltada para a vigilância da saúde de população exposta ao petróleo. O trabalho, desenvolvido por profissionais da Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde (Suvisa), da Diretoria de Atenção Básica (DAB) e Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Bahia (CIATox-BA), é monitorado pelo Grupo de Trabalho Petróleo, criado pelo Governo da Bahia em 2022.
O Grupo se originou após o Comitê de Emergência em Saúde – COES Petróleo apurar que o derramamento de petróleo ocorrido em 2019 atingiu 38 municípios no litoral da Bahia, com petróleo de alta densidade e mais tóxico. A partir deste evento, a Sesab elaborou um Protocolo de Avaliação da Saúde de População Exposta ao Petróleo, com orientações para serviços e trabalhadores da saúde da Bahia.
A Bahia foi um dos estados mais afetados pelo desastre ambiental no Brasil. Inicialmente, a limpeza das praias foi realizada de forma voluntária por marisqueiras, pescadores artesanais e moradores das comunidades costeiras. Com a ampliação da divulgação sobre o aparecimento das manchas de óleo, diversas entidades e empresas mobilizaram-se, enviando e contratando equipes especializadas para atuar na limpeza desses biomas.
Após 6 anos do grave acidente ambiental, o GT- Petróleo avaliou que todos os anos têm ocorrido derramamento de petróleo nas regiões Sul, Leste, Extremo Sul e Nordeste e que a capacitação é imprescindível para minimizar os danos e efeitos que ocorrem a curto e longo prazos.
No treinamento, profissionais das secretarias municipais de saúde são orientados pelas equipes de atenção básica e vigilância em saúde para implantação do Protocolo.
Estudos recentes evidenciam a relação entre a exposição de indivíduos a esses desastres e o consequente surgimento de efeitos adversos físicos, psicológicos e endócrinos, tanto em populações residentes em áreas afetadas por derramamento de petróleo quanto entre voluntários e trabalhadores nas operações de limpeza ambiental.
No caso do derramamento de petróleo no litoral baiano, os grupos de maior risco para ocorrência de intoxicações e outros impactos à saúde são os trabalhadores da pesca artesanal, da cadeia de produção do pescado, (tratamento e beneficiamento dos peixes e mariscos); do comércio de alimentos, formal e informal, dos serviços de turismo, da limpeza urbana, dos órgãos públicos de defesa civil e proteção ambiental e voluntários da coleta do óleo das praias atingidas.
“A exposição ao petróleo tem risco potencial de provocar danos neurológicos e psicológicos, por isso aplicamos dois questionários: O SRQ-20, ou Self-Reporting Questionnaire é um questionário desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para rastrear indicadores de transtornos mentais comuns (TMC) em serviços de atenção básica”, explica Marcela Telles, técnica da Coviam – Coordenação de Vigilância em saúde ambiental/ Suvisa.
“Já o questionário MoCA (Montreal Cognitive Assessment) é um instrumento de triagem rápida para avaliar funções cognitivas em diversas áreas, como atenção, memória, funções executivas e linguagem. Foi desenvolvido para detectar comprometimento cognitivo leve, que pode ser um indício de demência ou outras condições neurológicas”, explica Marcela.
A capacitação é periódica e ocorre nas 4 macrorregiões: Sul, Leste, Extremo Sul e Nordeste.
Ascom da Suvisa
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