Na tarde de ontem (02), o auditório do Centro Estadual de Oncologia (CICAN) foi palco de um importante momento de conscientização e formação: o Seminário de Prevenção e Combate aos Assédios Moral e Sexual. Realizado pela Corregedoria da Saúde do Estado da Bahia, com o apoio do CICAN, o evento teve como foco sensibilizar e capacitar lideranças da unidade sobre um tema urgente e essencial no ambiente de trabalho.
Com o slogan “Assédio não! Nossa conexão é o respeito”, o seminário reuniu coordenadores, chefias e lideranças de setores estratégicos do CICAN, reforçando o papel de cada um como multiplicador na promoção de ambientes éticos, seguros e acolhedores.
A abertura foi conduzida por Nivana Bastos, supervisora do Núcleo de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (NUPICS), que propôs um momento de relaxamento e respiração com uso de essências naturais. Segundo ela, “era necessário preparar o corpo e a mente para o peso do tema que seria tratado. Precisamos de tranquilidade para enfrentar realidades difíceis, mas que precisam ser ditas.”
Em seguida, Fabiola Maria Gondim Lima, coordenadora do Núcleo de Prevenção e Combate aos Assédios Moral e Sexual da Corregedoria, apresentou o histórico da atuação do núcleo e esclareceu, com base na legislação e na prática, as diferenças e especificidades do assédio moral e do assédio sexual no ambiente de trabalho. “Falar sobre assédio é falar sobre relações de poder, sobre abuso de autoridade e sobre o direito de trabalhar com dignidade. Nosso papel é informar, prevenir e, quando necessário, agir com firmeza,” afirmou.
A programação seguiu com a palestra de Isadora de Queiroz Batista Ribeiro, gerente da Ouvidoria SUS-BA, fisioterapeuta e sanitarista, doutoranda em Saúde Pública pela UFRJ. Ela detalhou o fluxo da Ouvidoria no acolhimento das denúncias de assédio. “A escuta é o primeiro passo para romper com o silêncio. Nosso sistema de ouvidoria está preparado para garantir sigilo, acolhimento e encaminhamento adequado de cada caso,” pontuou Isadora.
Na sequência, Daniela Sapucaia, fisioterapeuta e coordenadora do Grupo Estratégico de Apurações Correcionais da Corregedoria da Saúde, tratou do fluxo de apuração dos ilícitos relacionados aos assédios. Em sua fala, destacou: “Nosso compromisso é com a verdade e com a justiça. A apuração é técnica, ética e conduzida com total responsabilidade.”
O seminário contou ainda com a participação de Bruno Dórea Jaques, fisioterapeuta do trabalho e membro da Coordenação de Saúde e Segurança do Trabalhador (DGETS/SUPERH), que apresentou o funcionamento do SIAST no cuidado com os trabalhadores envolvidos em denúncias. “O impacto do assédio na saúde mental e física do trabalhador é profundo. Nosso papel é garantir cuidado, escuta e proteção à saúde de todos os envolvidos,” reforçou.
Durante o evento, os participantes também tiveram um momento de intervalo para confraternizar e trocar experiências, além de uma rodada de perguntas, onde dúvidas foram esclarecidas diretamente com os palestrantes.
Encerrando o seminário, o Diretor Geral do CICAN, Theofanio Neto, agradeceu a presença das lideranças e o apoio da Corregedoria na construção do evento. “Este é um momento marcante para o CICAN. Falar sobre assédio é necessário, e a melhor forma de combater é por meio da informação, da formação e do fortalecimento institucional. Ética, dignidade e respeito são pilares inegociáveis do nosso ambiente de trabalho,” destacou.
O evento contou ainda, com a presença de representantes do SindSaúde.
A realidade que precisa ser enfrentada
O assédio moral e o assédio sexual são violações graves que afetam diretamente a saúde, a autoestima e a segurança dos trabalhadores. Segundo dados do Ministério Público do Trabalho (MPT), apenas em 2023 foram registradas mais de 2.700 denúncias de assédio sexual no país, um número que tende a ser ainda maior, considerando os inúmeros casos que permanecem silenciados.
O assédio moral, por sua vez, afeta não só a vítima direta, mas o clima organizacional como um todo, impactando negativamente a produtividade, o vínculo profissional e a saúde dos trabalhadores. Estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que ambientes de trabalho hostis contribuem para o adoecimento mental, absenteísmo e afastamentos prolongados.
Um compromisso coletivo
O seminário representou um passo importante na consolidação de uma cultura organizacional pautada pela escuta, pelo acolhimento e pelo respeito. Como reforçou a equipe organizadora, “Juntos somos mais fortes contra o assédio”.
O CICAN segue comprometido com a promoção de ambientes saudáveis, seguros e humanizados para trabalhadores e usuários. Afinal, respeito é a base de tudo.
12/04/2026 10:35
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