Nos dias 29 e 30 de julho, a Escola de Saúde Pública Jorge Novis, em Salvador, sediou o curso presencial do Projeto Equalisah, voltado à formação de profissionais da Atenção Primária à Saúde do Homem, com ênfase em masculinidades, violência e proteção de meninas e mulheres. A iniciativa foi promovida pelo Ministério da Saúde, por meio da Coordenação de Atenção à Saúde do Homem (COSAH), em parceria com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), através da Diretoria de Gestão do Cuidado (DGC) e da Diretoria de Atenção Básica (DAB), além da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
O evento reuniu importantes profissionais da área, entre eles os professores Dra. Nadirlene Pereira Gomes e Dr. Anderson Reis de Sousa (Enfermagem/UFBA), o apoiador institucional Edson Alan Barros (COSAH/MS), a referência estadual em Saúde do Homem Rita de Cassia Dias Nascimento, a referência estadual de Violência Fabiana Kubiak, as referências em Saúde do Adolescente Jesuína Macedo e Andrea Antunes, a coordenadora do Cuidado por ciclo de Vida e Gênero Olga Sampaio, e a diretora interina de Gestão e Cuidado Clarissa Campos. Participaram do encontro 115 profissionais de saúde provenientes de diferentes municípios e regiões do estado da Bahia, com prioridade para aqueles que apresentam maior número de notificações de violência, além de representantes das Bases Regionais de Saúde.
Durante a abertura, Edson Alan explicou que o Projeto Equalisah objetiva qualificar profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS), incentivando ações transversais na prevenção e enfrentamento da violência contra meninas e mulheres, além de ofertar atenção qualificada à saúde dos homens, com ênfase no eixo de Prevenção de Acidentes e Violências, conforme na PNAISH. Lembrou do papel fundamental da Estratégia Saúde da Família (ESF) na identificação e proteção de pessoas em situação de violência, mostrando que cuidar dos homens também é uma forma de proteger as mulheres e promover a saúde de todos.
Já Olga Sampaio apontou que o cuidado com os homens faz parte de todas as fases da vida e destacou que a violência é uma questão de saúde pública, configurando- se como um problema complexo, com várias causas. Para ela, é importante que os profissionais estejam preparados para perceber sinais de sofrimento e lidar com questões culturais, para garantir um cuidado mais completo aos homens na APS.
O professor Anderson Reis ressaltou que o curso faz parte de uma proposta nacional, que está ocorrendo em diversos estados, com a intenção de fortalecer a rede de acolhimento e o enfrentamento à violência de gênero. A professora Nadirlene Gomes destacou ainda os desafios existentes em razão dos tabus sobre masculinidades e o impacto das construções sociais e culturais na saúde de homens e mulheres. Ela considerou como diferencial do curso, a proposta de acolher o homem em situação de violência como sujeito de cuidado.
Com duração de 12 horas, o curso valorizou a experiência prática dos profissionais e adotou metodologias construtivistas, abordando temas como escuta qualificada, apoio psicossocial, integração com a rede de cuidados, manejo clínico, e a problematização das relações entre masculinidades e violências. Ao final, no dia 30 de julho, os participantes elaboraram coletivamente um Plano de Ação para ser levado aos municípios, alinhado às diretrizes da PNAISH.
A avaliação dos participantes foi positiva, em que foi destacado o caráter inovador da formação, a relevância do cuidado à saúde do homem levando em conta as realidades locais e a participação de diferentes categorias profissionais, o que favoreceu a troca de saberes e perspectivas. Assim, a estratégia do Equalisah fortalece a construção coletiva de soluções para uma Atenção Primária mais acolhedora, resolutiva e capaz de transformar a realidade dos territórios.
17/03/2026 17:26
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