Homenagear e reconhecer a luta, destacar as contribuições da comunidade negra para a formação da sociedade brasileira, valorizar e ressaltar o protagonismo. O Dia da Consciência Negra propõe uma ampla reflexão sobre o racismo, a discriminação, a igualdade social. No Centro de Referência Estadual de Atenção à Saúde do Idoso (CREASI) a data foi marcada com a realização de oficina sobre um elemento que é carregado de história e significado, que representa a luta, a beleza, a espiritualidade e o orgulho da identidade negra: o Turbante.
A Oficina de Amarrações Rápidas de Turbantes, ministrada pela trabalhadora da Unidade Railma Amorim, contou com apresentação teórica e exposição de adornos e adereços inspirados na cultura africana, e teve como objetivo principal promover o respeito à diversidade e a valorização da cultura afro-brasileira, evidenciando o turbante como símbolo de identidade, força e ancestralidade, utilizado na luta por igualdade e justiça do povo negro.
Realizado pela Coordenação de Gestão de Pessoas, através do Serviço Integrado de Atenção à Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (SIAST/CREASI), o evento possibilitou reflexões sobre resistência, identidade cultural, diversidade e sobretudo a luta contra o preconceito racial e a opressão. “Para mim foi gratificante falar da cultura negra e mostrar porque eu uso turbante. Eu não uso por ser um adereço, eu uso pela minha identidade negra, por ser uma mulher preta empoderada”, salientou Railma.
Com o propósito de ampliar a compreensão coletiva e fomentar práticas antirracistas no cotidiano de trabalho da unidade, cujo perfil dos usuários são em sua maioria (79,7%) pretos e pardos, a iniciativa reafirma o compromisso do CREASI em promover espaços de diálogo qualificado, formação crítica antirracista, contribuindo para uma prática institucional mais humanizada e alinhada aos princípios do SUS.
Ancestralidade e História
Na oficina, Railma Amorim explicou como o turbante é utilizado por diferentes povos. Desde a antiguidade, a cobertura da cabeça, incluindo variações de turbantes, servia como proteção contra o sol forte. No Oriente Médio, muito antes do surgimento do islamismo, em que povos árabes e indianos o utilizavam como um adereço cultural e religioso. Para os povos africanos, os turbantes ou amarrações de cabeça, como o ojá – pano de cabeça usado em religiões de matriz africana para proteger o “Ori” (cabeça, na língua iorubá), que é considerado o centro da energia espiritual e individualidade – são elementos estruturais da cultura, com cada estilo de amarração e cor indicando a posição social, a etnia, a idade, o humor ou a hierarquia espiritual, estando longe de ser apenas um adorno estético. Já no Brasil, essa indumentária chegou através dos povos africanos escravizados, que trouxeram consigo a tradição de usá-lo como símbolo de identidade cultural, resistência e fé.
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