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Seminário celebra 10 anos do Ambulatório Multidisciplinar em Saúde para Travestis e Transexuais do CEDAP

29/01/2026 15:10

O auditório do Centro Estadual Especializado em Diagnóstico, Assistência e Pesquisa – CEDAP sediou, ao longo de todo o dia 27 de janeiro, o Seminário 10 Anos de Visibilidade Trans na Bahia, evento que celebrou uma década de atuação do Ambulatório Trans do CEDAP, no âmbito da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).

A abertura do seminário foi conduzida pelos assistentes da coordenação Adryan Luis, Aimêe Campos e Agatha Suany, juntamente com o coordenador do Ambulatório Trans, Ailton Santos. Em suas falas, destacaram a importância da força, da existência e da resistência de um espaço como o ambulatório, construído a partir da luta, do cuidado e do compromisso com a população trans.

A mesa de abertura da solenidade foi composta por representantes de diferentes instâncias do poder público e do sistema de justiça: Marli Souza (Casa Civil), Matheusa Silva (Secretaria de Relações Institucionais), Felipe Freitas (Secretaria de Justiça e Direitos Humanos), Karlos Figueiredo (Superintendência de Atenção Integral à Saúde), Dra. Leila Azevedo (Diretora-Geral do CEDAP), Dr. Ailton Santos (Coordenador do Ambulatório Trans do CEDAP) e Carlos Martel (Ministério Público do Estado da Bahia).

Durante a mesa, foi ressaltada a importância do saber coletivo e acadêmico na construção de um espaço como o Ambulatório Multidisciplinar de Atenção à Saúde de Travestis e Transexuais (AMBTT/CEDAP). Houve um agradecimento especial à equipe que torna o trabalho do ambulatório possível, além de reflexões sobre a necessidade de proteção da população LGBTQIAPN+. As falas destacaram que momentos como esse representam espaços de resistência, reafirmaram a importância de dar visibilidade à pauta, valorizaram a participação coletiva e reconheceram a origem do ambulatório nos movimentos sociais. Também foi enfatizada a necessidade de olhar para o futuro, com a continuidade da qualificação e ampliação do atendimento, encerrando-se com a defesa do ambulatório como um espaço de compaixão e cuidado humanizado. A programação da manhã contou ainda com a apresentação da cantora Fê, que emocionou o público ao dividir o palco em um dueto com Aimêe Campos.

A primeira mesa da manhã teve como tema “A importância da rede de serviços e da linha integral de cuidados à saúde de pessoas trans no SUS/BA” e foi composta por Eleuzina Falcão (Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde da Bahia), Daniele Monteiro (Diretoria de Gestão do Cuidado/SAIS), Erica Bowes (Fundação Estatal Saúde da Família/SUS) e Joilda Silva Nery (Instituto de Saúde Coletiva/UFBA). A discussão destacou o caráter anti-hegemônico da luta das pessoas trans, as dificuldades enfrentadas por usuários do interior do estado para acessar o tratamento, a necessidade de um cuidado integral, incluindo o planejamento reprodutivo, além da importância de abordar a interseccionalidade, promover ações afirmativas e fortalecer a parceria entre assistência, pesquisa e extensão.

Na sequência, a segunda mesa abordou o tema “Desafios para um Cuidado Afirmativo e Humanizado com Pessoas Trans no SUS/BA”, com a participação de Erik Abade (Secretaria Municipal de Saúde), Dra. Liliane Lins Kusterer (Hospital Universitário Professor Edgard Santos/UFBA), Andréa Novo (Maternidade Climério Oliveira/UFBA), Dra. Márcia Sampaio (Escola Bahiana de Medicina), Dra. Patrícia Almeida (Ginecologista/CEDAP) e Luciana Oliveira (HUPES/UFBA). O debate tratou da importância dos processos de macrogestão do cuidado, da cirurgia de afirmação de gênero pelo SUS, do cuidado subjetivo, das possibilidades de transgestação, além de temas relacionados à concepção, contracepção e à necessidade de fortalecimento das parcerias institucionais.

No turno da tarde, o seminário foi retomado com a terceira mesa, intitulada “Direitos das pessoas trans no campo da saúde”, composta por Lívia Almeida (Defensoria Pública do Estado da Bahia), Carlos Martel (MPE/BA), Gabriel Ribeiro (SESAB), Dra. Keila Simpson (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), Ives Bittencourt (Comissão de Diversidade e Gênero da OAB/BA) e Adriana Valadares (Tribunal Regional do Trabalho/5ª Região). As falas reforçaram que, de acordo com a Constituição Federal, todas as pessoas têm direito a uma vida digna. Apesar dos desafios, foi destacado o avanço do diálogo e do trabalho em rede, bem como a complexidade da inclusão da população trans no SUS, que exige cuidado em diversas esferas. Também foram debatidas a importância da capacitação para o acolhimento, da qualificação do atendimento, da melhoria da estrutura dos serviços e do olhar da SESAB para o fortalecimento da política.

A última mesa do evento trouxe o tema “Controle social na saúde de pessoas trans: avanços e retrocessos”, com a participação dos ativistas Cris Sarmento, Bruno Santana, Nicole Braga, Theo Brandom e Manuella Tyler. O debate enfatizou a importância do apoio familiar às pessoas trans, do cuidado integral à saúde, da segurança alimentar e da compreensão de que a saúde transexualizadora também é saúde. Foi reforçada ainda a necessidade de expandir a atuação dos serviços para o interior do estado, considerando as dificuldades de deslocamento de muitos usuários, além da importância de profissionais qualificados e acolhedores.

O seminário foi encerrado com as falas do Dr. Ailton Santos e da Dra. Leila Azevedo, que destacaram os desafios ainda existentes e reafirmaram o entendimento de que o direito de existir da pessoa trans é, antes de tudo, um direito humano.

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