Na sexta-feira (27), equipes da Vigilância em Saúde da Bahia realizaram visitas técnicas a comunidades quilombolas no município de Cachoeira para avaliar os impactos das chuvas intensas, identificando vulnerabilidades estruturais, riscos à saúde e demandas sociais das populações locais.
A ação foi conduzida pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS Bahia), por meio do eixo Vigidesastres, em parceria com residentes da Vigilância em Saúde e a equipe técnica da BRS Cruz das Almas, da macrorregião Leste. A iniciativa integrou análise de dados epidemiológicos com escuta qualificada das comunidades afetadas.
Durante as visitas, as equipes buscaram compreender não apenas os agravos à saúde relacionados aos eventos climáticos, mas também aspectos sociais, culturais e psicossociais presentes no cotidiano das populações quilombolas. Cada território apresentou dinâmicas próprias, marcadas por desafios estruturais e por uma forte identidade cultural.
Foi observado que a subsistência local está diretamente ligada à pesca artesanal e à agricultura familiar, atividades que podem aumentar a exposição a riscos em cenários de alterações ambientais, como os provocados pelas chuvas intensas. No período pós-evento, foram identificadas dificuldades de acesso, fragilidades na infraestrutura e agravamento de vulnerabilidades já existentes.
Por meio da escuta ativa, moradores relataram experiências relacionadas ao cuidado em saúde e às condições de vida, incluindo acesso a serviços de saúde, água tratada e questões ambientais. Entre os principais achados, destacam-se relatos de sintomas dermatológicos, como prurido e irritações cutâneas, especialmente entre pescadores e marisqueiros, possivelmente associados à exposição ambiental durante o trabalho.
As informações coletadas irão subsidiar a implementação de ações voltadas à mitigação de riscos, ao fortalecimento da vigilância em saúde e à ampliação do cuidado nos territórios.
A iniciativa reforça a importância de uma vigilância em saúde territorializada e articulada entre diferentes níveis de gestão, permitindo o reconhecimento precoce de vulnerabilidades e a definição de estratégias de prevenção e resposta mais adequadas às realidades locais, contribuindo para o cuidado integral das populações tradicionais.
30/03/2026 17:03
30/03/2026 17:02
30/03/2026 16:55