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Cedeba: 28 anos de avanços na saúde pública da Bahia

23/03/2022 16:38

O sonho de um grupo de profissionais de saúde, capitaneado pela endocrinologista Reine Chaves, com a missão de tratar, de forma humanizada e qualificada, pacientes diabéticos e portadores de endocrinopatias de todo o território baiano foi materializado no dia 24 de março de 1994 com a inauguração do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba). Nestes 28 anos, a unidade da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), que nasceu pequena nas dependências do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), experimentou um processo contínuo de crescimento, exigindo mais e mais espaço, para atender novos serviços que passou a oferecer. Pelo segundo ano, o aniversário do Cedeba passa sem comemorações presenciais em razão da pandemia. Mas, na quinta e sexta-feira, a equipe da Obesidade estará num importante treinamento online da Sociedade Europeia para Estudos da Obesidade – EASO, que escolheu o Cedeba como único centro do Brasil para o importante treinamento. Nesta entrevista, a fundadora e diretora do Cedeba, Reine Chaves, mostra a importância do Centro para a saúde pública da Bahia.

Qual sua avaliação sobre o trabalho do Cedeba nestes 28 anos?

O Cedeba cresceu muito mais do que eu imaginava. Conseguimos avançar na missão que desenhamos conjuntamente (com o grupo de idealizadores), com o foco na qualidade da assistência, no respeito aos recursos humanos e, também, no trabalho executado para subsidiar políticas públicas. Um exemplo importante foi o Protocolo para dispensação de Análogos de Insulina, importante avanço terapêutico, que colocou a Bahia em posição de vanguarda.

O que a motivou a criar o Cedeba?

O sonho de oferecer tratamento diferenciado às pessoas com diabetes que deu origem ao Cedeba ganhou robustez durante o curso de especialização (Fellow em Endocrinologia) pela George Washington University. Primeiro, fundamos o Serviço de Endocrinologia do Hospital Roberto Santos. Antes, como subgerente de doenças crônico degenerativas, fizemos uma ação de sensibilização dos gestores estaduais visando a criação de um Centro Especializado de Referência Estadual, para atenção ao diabetes e doenças endócrinas. Tudo isso, objetivando a promoção, proteção e a recuperação da saúde do povo baiano. Um ano após sua fundação, o Centro firmou convênio de cooperação técnica com o Internacional Diabetes Center (IDC), o que culminou na adaptação de protocolos clínicos para atenção programada ao diabetes no Brasil e, em especial, na Bahia.

O Cedeba nasceu pequeno, mas cresceu e avançou…

Ao ser fundando, o Cedeba funcionou anexo ao Hospital Roberto Santos. De lá, para a pequena sede do Rio Vermelho (o Cedebinha). Logo, o espaço tornou-se pequeno exigindo nova mudança. Apesar de ocupar um pavimento do Centro de Atenção à Saúde (CAS) – uma área de 3,3 mil metros quadrados – já há necessidade de mais espaço, em razão do crescimento das ações de referência na assistência ao diabetes, obesidade e endocrinopatias. O Cedeba é um dos centros de excelência no Brasil, credenciado pela World Diabetes Foundation (WDF), e que teve o reconhecimento da Organização Mundial de Saúde (OMS). Nossa expectativa agora é a ampliação do espaço com a nova reforma nas dependências do CAS, que trará mais conforto para nossos usuários.

Além da assistência, o Cedeba também atua na área de ensino e pesquisa. Qual a importância da Residência Médica que o Cedeba oferece em Endocrinologia?

A Residência Médica em Endocrinologia do Cedeba tem um papel muito importante porque o Centro oferece atendimento em diabetes, obesidade, puberdade precoce, distúrbios do crescimento, entre outros. Esse vasto leque garante uma visão ampla para o médico que está se especializando. O Cedeba, como Centro de Referência, atende pacientes de toda a imensa Bahia, onde se incluem casos complexos. Recentemente a Residência do Cedeba foi considerada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) como a primeira opção de Residência Médica em Endocrinologia no Brasil.

Qual a importância do Trabalho do Cedeba na educação continuada dos profissionais da Atenção Primária de Saúde (APS)?

Diante do crescimento do diabetes e, também, pela necessidade de diagnóstico precoce, de fortalecimento do autocuidado, percebemos a importância de fortalecimento do trabalho dos profissionais da APS (antes Atenção Básica). Começamos esse trabalho de capacitação em 1998 com o PROJAD. Depois, com o apoio da Federação Internacional de Diabetes (IDF) continuamos avançando com o PRODIBa. Alcançamos profissionais de 73% dos municípios. O trabalho seguiu com o PROCED, com o apoio da World Diabetes Foundation – WDF.

O Cedeba, como Centro de Referência, não tem atendimento porta aberta, mas a população do SUS sempre associa tratamento de diabetes e obesidade ao Cedeba. Isso é resultado da boa imagem do Centro?

Acredito que o diferencial do Cedeba está no paciente ser acolhido, o que lhe dá um sentimento de pertencimento. O paciente cria um vínculo com o profissional que o atende. Esse paciente, sentindo-se acolhido, começa a divulgar o trabalho do Centro de Referência, despertando o desejo de outras pessoas de também contar com essa assistência de qualidade.

Há dois anos, com a pandemia da Covid-19, houve necessidade de mudanças para garantir a assistência, mas também para proteger os usuários. Esse desafio trouxe avanços?

Quando começou a pandemia da Covid-19, precisávamos continuar assistindo nossos pacientes, mas sem atendimento presencial porque diabetes e obesidade são comorbidades que aumentam as chances de complicações e morte pela Covid-19. O atendimento presencial nos ambulatórios foi suspenso, mas houve importantes avanços com a Telemedicina, inicialmente com dificuldades, mas trazendo novas conquistas para a unidade, como a informatização de todos os consultórios. Avançamos com a Teleconsultoria Especializada, em que especialistas do Cedeba orientam profissionais da Atenção Primária de Saúde, ampliando o atendimento.

Considerando que o diabetes e a obesidade representam a maior demanda do Cedeba, quais mudanças são necessárias no âmbito do SUS para conviver e enfrentar esse desafio?

Fortalecer a teleconsultoria especializada e assistência ao paciente na Atenção Primária de Saúde. Incentivar a educação em saúde para fomentar o autocuidado e autonomia do paciente com doenças crônicas, que não têm cura, mas têm controle.

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