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Cedeba reforça informações para pessoas com diabetes sobre cuidados no Carnaval

07/02/2023 16:38

A doméstica Rita de Cassia Ribeiro Queiroz, 52 anos, moradora do Cabula, está contando os dias para o Carnaval, porque “ganhei da minha patroa a fantasia do Ilê (o tradicional bloco afro Ilê Aiyê). Vou realizar meu grande sonho.” Com diabetes desde os 20 anos, e acompanhada no Centro de Diabetes e  Endocrinologia  da Bahia ( Cedeba), ela participou hoje da Caravana da Saúde, na sala de espera, recebendo  reforço  de informações sobre os cuidados  que precisa observar durante  a folia, para brincar  com segurança.

O planejamento  da Caravana da Saúde, programa educativo  do Cedeba, por meio da Coordenação de Educação em Diabetes e Apoio à Rede (Codar) nas salas de espera, é uma atividade de rotina, mas  leva em conta datas especiais, quando  há necessidade de orientações específicas. E  no Carnaval  não é  diferente, porque “a pessoa com diabetes pode ter uma  vida normal, sem restrições, mas para isso é preciso adotar  cuidados diários”, como observa a coordenador da Codar, Graça Velanes”.

Segundo explica a coordenadora da Codar, o tratamento do diabetes  é dinâmico. Envolve muitas vezes escolhas da pessoa com diabetes, requer construir e interpretar os resultados das glicemias diante das  glicoses monitoradas ao longo do dia, bem como alimentação adequada e exercícios, manejo da insulina nas situações de alta e baixa da glicose, dentre outras ações. Algumas medicações, como a insulina e a classe das sulfonilureias, podem  causar hipoglicemia e o paciente precisa saber reconhecer esses sintomas e como conduzir a situação.

Se  uma pessoa com diabetes “cair” na folia apresentar sinais e sintomas de hipoglicemia? O que dispõe para se recuperar transitoriamente desta crise… lembrando que em todo circuito há diversos alimentos (refrigerantes e sucos com açúcar, sanduíches, churrasquinho) qual a escolha? Será que ele ou acompanhante terá tempo de comprar o alimento assertivo para corrigir a hipoglicemia? Então  é necessário o KIT Hipo (balas macias com açúcar, sachê de mel)  e o cartão do diabetes.  A responsabilidade de proporcionar uma boa qualidade de vida depende do suporte da equipe de saúde que o acompanha sustentando nos sete  comportamentos para o autocuidado pois uma pessoa com diabetes educada consegue adquirir autonomia trilhando nas adversidades do dia a dia, orienta Graça Velanes.

AULA PRÁTICA

Na aula  prática da Caravana da Saúde, a líder de Educação do Cedeba, enfermeira, Ana Claudia Perrotta, e a nutricionista Suane Evangelista, explicaram  os cuidados  para  evitar hipoglicemia (definida como glicemia menor que 70). Com  farto material didático, além da apresentação dos conceitos,  responderam  muitas  perguntas, esclarecendo dúvidas.

A pessoa com diabetes, segundo explicou Suane Evangelista, para  “cair  na folia “precisa  se cuidar  para evitar a hipoglicemia, que nos casos mais  graves, quando a pessoa perde a consciência  exige atendimento  médico, como explicou Ana Claudia Perrota.

Além de fazer as refeições, de acordo com o plano alimentar, a pessoa com diabetes, ao brincar o Carnaval, não  deve esquecer a hidratação ( beber água) e o kit para  hipoglicemia (três balas macias, três sachês de mel), cada um correspondendo a 15 gramas de carboidratos. A hipoglicemia  pode ser  revertida  também com  um copo de suco de laranja ou um copo  de refrigerante (com açúcar, normal) caso a glicemia esteja  menor que  54, dobrar o consumo para 30 gramas de carboidratos.

São sintomas da hipoglicemia: tremores, sonolência, aumento da sudorese e confusão  mental. Quando  a pessoa  fica desacordada por conta da hipoglicemia, não se deve dar  qualquer alimento, explica Ana Perrota, porque  há o risco de  a pessoa broncoaspirar. Neste caso, como orientam as profissionais da Caravana da Saúde,  a pessoa  precisará de aplicação de glicose (via endovenosa.). Deve-se  procurar  atendimento nos postos do circuito do Carnaval  ou ligar  para o SAMU (192).

Para  quem vai  sair em blocos, como é o caso de Rita de Cássia, a orientação de Suane Evangelista, ao chegar  para o  desfile, já  informar ao pessoal do carro de  apoio  que tem diabetes. Isso garante  uma  atenção  especial.

COMPORTAMENTOS  PARA O AUTOCUIDADO

O folião precisa estar atento  para  comportamentos que  reforçam o autocuidado, como observa a coordenadora da Codar: comer saudavelmente, buscando uma alimentação mais natural  possível e a redução de alimentos processados e ultraprocessados. Alimentos processados têm maior teor de gordura, podendo tornar mais lenta a ação das insulinas utilizadas para cobrir os carboidratos das refeições, levando às hiperglicemias. Muitas vezes, a pessoa com diabetes na folia poderá no dia recolher-se, caso ocorra esta situação e não identificar a causa.

O carnaval é um bom momento para movimentar o corpo e melhorar a absorção das medicações (hipoglicemiantes orais e insulina).  Mas exercício e calor requerem maior ingestão de água – no mínimo 2 a 3 litros por dia. Os sucos de frutas contêm adição de açúcares, podendo elevar a glicemia.

Para  brincar  o Carnaval com  segurança é preciso vigiar as taxas. E segundo a coordenadora de Apoio à Rede da Codar, advogada e assistente social, Júlia  Coutinho, a Lei nº 11.347, de 27 de setembro de 2006, dispõe sobre a distribuição gratuita de medicamentos e materiais necessários à aplicação e à monitoração da glicemia capilar às pessoas com diabetes inscritas em programas de educação. Portanto – pontuou -, não é desculpa para  não ir à  folia, pois o direito da pessoa com diabetes monitorar suas glicemias está garantido por Lei. O gerenciamento da utilização de glicemias em locais públicos pelo procedimento (uso de lancetas, fitas ) e seus descartes deve ser discutido com sua equipe de saúde a fim de evitar situações constrangedoras em público.

CARTAZ EDUCATIVO

As pessoas com  diabetes  acompanhadas  no Cedeba  contam, também, com   dicas  para  curtir o Carnaval  com segurança, que  estão  num cartaz  afixado  próximo ao Posto de Enfermagem. O uso de calçados adequados (meia de algodão) e a orientação  para não andar descalço. A opção  por roupas leves como as de algodão, o uso da camisinha, os cuidados com a alimentação e hipoglicemia. A equipe da Codar  continuará até o Carnaval  com a Caravana da Saúde,  focando os cuidados  para a festa, para  garantir o direito à folia  com  segurança.

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