Tanto o teste rápido e como a vacinação para hepatites virais, muito importantes para a população em geral, são ainda mais necessários para pessoas com diabetes, porque “é como uma via de mão dupla: a hepatite dificulta o controle do diabetes e este, por sua vez, torna mais grave a manifestação da hepatite B”. O alerta é da diretora do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (CEDEBA), a endocrinologista Reine Chaves, ao ressaltar a importância do Julho Amarelo, mês definido pelo Ministério da Saúde para fortalecer as ações de prevenção e tratamento das hepatites virais.
Segundo Reine, pessoas com diabetes acompanhadas no Cedeba são orientadas sobre a necessidade da vacinação – hepatites A e B – e sobre o tratamento (disponível no SUS). Para a hepatite C, não há vacina. Esse trabalho se insere, segundo explicou, na educação em diabetes, começando nas consultas de Enfermagem, porque “é muito importante para o tratamento do diabetes”.
Além do trabalho centrado no autocuidado, o Cedeba, por meio da Coordenação de Educação em Diabetes e Apoio à Rede (CODAR), também oferece treinamento para profissionais da Atenção Primária de Saúde (APS) – de toda a Bahia – destacou a diretora do Cedeba. Por isso, na programação de webpalestras (transmitidas pelo Telessaúde) para marcar o Julho Amarelo, o tema será “Diagnóstico e Tratamento do Fígado Gorduroso no Diabetes Mellitus Tipo 2”, tendo como palestrante o hepatologista Paulo Bittencourt.
Atenção continuada
Embora haja ações específicas no Julho Amarelo, o Cedeba orienta pessoas com diabetes sobre a necessidade de prevenção e tratamento de hepatites virais durante todo o ano, como destaca a líder da Vacinação, Ana Rita Botelho Fernandez. Segundo ela, a vacina contra hepatite B é oferecida durante todo o ano para pessoas com diabetes atendidas no Cedeba e, também, para colaboradores. O encaminhamento para a vacinação é feito já nas consultas com a Enfermagem.
Mas o trabalho da Enfermagem vai além: são dadas orientações sobre o uso seguro (sem compartilhamento) de agulhas e seringas aos usuários de insulina e, também, sobre o descarte de materiais perfurocortantes, que devem ser acondicionados em garrafa tipo PET e entregues na unidade de saúde.
Além dos usuários, o Cedeba também orienta seus colaboradores sobre os cuidados na prevenção das hepatites virais. O SIAST/CEDEBA acompanha o esquema de vacinação, orientando sobre a importância da imunização. Essa ação é muito importante – destaca a diretora do Cedeba – que lembra que, no universo de colaboradores do Cedeba, há profissionais que lidam com materiais perfurocortantes, como o pessoal da Enfermagem e Odontologia.
Entendendo as hepatites virais
– As hepatites virais são infecções causadas por vírus que atacam o fígado, podendo levar a complicações como cirrose, câncer e à morte;
– São conhecidos cinco vírus: A, B, C, D e E, mas no Brasil os mais frequentes são o A, B e C;
– As hepatites B e C são a primeira causa de transplante de fígado no Brasil;
– São doenças silenciosas (nem sempre apresentam sintomas), mas, quando aparecem, trazem cansaço, febre, mal-estar, tontura, dor abdominal, peles e unhas amareladas, urina escura e fezes claras;
– Na hepatite A, a principal via de contagio é fecal-oral, por meio de água e alimentos contaminados. A hepatite A pode ser evitada por meio da vacina;
– Hepatite B: a principal via de transmissão é sexual (relação sexual desprotegida), mas pode ocorrer também por transfusão evitada por agulhas e seringas, material de manicure, piercings, tatuagem, escova de dentes, lâmina de barbear e demais objetos que cortam ou furam, e também de mãe para filho na gestação ou parto;
– Não existe vacina para hepatite C, mas o tratamento, que cura a doença, está disponível no SUS. O teste para hepatites B e C é gratuito e está disponível na rede SUS.
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