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Doença de Chagas

Doença de Chagas

O tratamento de pessoas afetadas com doença de chagas na forma aguda deve ser imediato. O benznidazol é o fármaco de primeira escolha e está incluído no Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica, conforme consta na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais: Rename 2020 (BRASIL, 2020). O nifurtimox pode ser utilizado como alternativa em casos de intolerância ou que não respondam ao tratamento com benznidazol, (tem sido fornecido pela Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde).

Em casos assintomáticos ou na impossibilidade da confirmação diagnostica, mas com suspeita persistente (pela avaliação clínica e vinculo epidemiológico, sinais e sintomas característicos e evidências da presença de pessoas de convívio domiciliar/familiar com a doença ou exposição a triatomíneos ou suspeita de transmissão materno-fetal), o tratamento empírico pode ser considerado.

Para as pessoas na fase crônica, a indicação do tratamento depende da forma clínica e deve ser avaliada caso a caso, tendo maior benefício naqueles na forma indeterminada, especialmente crianças, adolescentes e adultos com até 50 anos de idade (BRASIL, 2018a).

Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à saúde (CID – 10):

B57: Doença de chagas
B57.0: Forma aguda da doença de chagas, com comprometimento cardíaco.
B57.1: Forma aguda da doença de chagas, sem comprometimento cardíaco.
B57.2: Doença de chagas (crônica) com comprometimento cardíaco.
B57.3: Doença de chagas (crônica) sem comprometimento do aparelho digestivo.
B57.4: Doença de chagas (crônica) com comprometimento do sistema nervoso.
B57.5: Doença de chagas (crônica) com comprometimento de outros órgãos.

Medicamentos:

Benzonidazol 12,5 mg Comprimido
Benzonidazol 100 mg Comprimido
Nifurtimox Comprimidos de 120 mg

Posologia do tratamento antiparasitário na doença de Chagas

 

Documentos necessários

Relatório médico
Exames laboratoriais de diagnóstico
Prescrição médica atualizada (30 dias)
Ficha de notificação de doença de Chagas aguda (SINAN)
Ficha de notificação de doença de Chagas crônica (e-SUS)
RG
CNS

Exames para abertura de processo

Fase Aguda:

Exame parasitológico é o mais indicado nessa fase, é estabelecido pela presença de parasitos circulantes demonstráveis no exame direto do sangue periférico

Métodos parasitológicos direto:
Pesquisa a fresco de tripanossomatídeos
Métodos de concentração
Lâmina corada de gota espessa ou de esfregaço

Caso os resultados dos exames parasitológicos sejam negativos é necessário a realização do exame sorológico. Têm utilidade complementar e devem sempre ser colhidos em casos suspeitos ou confirmados de DCA e enviados ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen). Descartar o caso se os exames sorológicos também forem negativos
Resultado sorológico positivo, confirmar caso.

Fase Crônica:

Exame sorológico

A confirmação laboratorial na fase crônica da doença ocorre quando há positividade em dois testes sorológicos de princípios distintos ou com diferentes preparações antigênicas

Testes Sorológicos utilizados:
HAI- hemaglutinação indireta
IFI - imunofluorescência indireta
ELISA- ensaio imunossorvente ligado a enzima
Quimioluminescência

Exames de monitoramento

Fase Aguda:

Hemograma completo com plaquetas
Urinálise (EAS)
Provas de função hepática
Radiografia de tórax
Eletrocardiograma convencional
Provas de coagulação (TTPA)
Endoscopia digestiva alta
Ecodopplercardiografia
Exame do líquor

Fase Crônica:

Eletrocardiograma (ECG) e radiografia de tórax. Pessoas na forma crônica indeterminada deverão realizar ECG convencional uma vez por ano.
Em caso de ECG com alterações cardíacas: ecocardiograma e, se possível, Holter.
Em casos suspeitos de megacólon e/ou megaesôfago: enema opaco e radiografia contrastada do esôfago, respectivamente.

Ressalta-se que exames adicionais ou modificações na rotina de exames poderão ocorrer conforme a presença de comorbidades

Unidades de Referência

Para esclarecimento sobre locais de dispensação de medicamento no município entrar em contato com a Assistência Farmacêutica Municipal ou a Vigilância Epidemiológica do seu município.

Fluxo de acesso para Salvador

Fluxo de acesso para Núcleos Regionais de Saúde (NRS) e/ou Bases Regionais de Saúde (BRS) - Antigas Dires

Observações

Nos casos suspeitos de DCA que se enquadrem no critério para liberação do medicamento (tratamento empírico), a solicitação do medicamento deve ser acompanhada de: relatório médico, descrevendo o caso e evidências para solicitação do medicamento, solicitação dos exames laboratoriais diagnóstico iniciais e notificação no SINAN, além da receita médica, RG e questionário de solicitação. Os casos de DCC devem ser notificados no e-SUS notifica após, confirmação diagnóstica.