A Faculdade de Medicina da Bahia (FMB-UFBA) promoveu hoje, 11, mais uma sessão de discussões do Centro Internacional de Estudo e Pesquisa da Saúde da População Negra e Indígena (CIEPNI), na sede da FMB no Largo do Terreiro de Jesus. O cardiologista Paulo José Bastos Barbosa, subsecretário estadual da Saúde da Bahia foi um dos quatro palestrantes, entre pesquisadores da FMB e USP, que discutiram medidas efetivas de prevenção do AVC – Acidente Vascular Cerebral, como melhorar o atendimento e diagnóstico imediato do paciente com AVC isquêmico e hemorrágico e as medidas para reduzir sequelas e promover a recuperação pós-AVC.
O AVC é a principal causa de morte no Brasil, com cerca de 100 mil mortes/ano, é também a principal causa de incapacidade de adultos, sendo um agravo que acomete com maior frequência pessoas negras (de cor preta e parda) e possui fatores de risco evitáveis, como hipertensão arterial, tabagismo e diabetes.
De acordo com Pedro Antônio de Jesus, professor da ICS, a maior incidência e prevalência do AVC entre os negros foi identificada em várias partes do mundo. E na Bahia não é diferente. Segundo o professor Pedro Antônio, 94% dos pacientes internados com AVC nos hospitais das redes pública e privada da Bahia são negros.
Problema de saúde transversal com quesitos de raça e cor
“O óbito por AVC pode ser evitado na Atenção Básica”, afirmou Ubiraci Matilde, assessora especial da SEPROMI (Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade Racial), que lamentou a quantidade insuficiente de profissionais treinados e qualificados para tal nos Postos de Saúde da Família, da Atenção Primária.
A neurocirurgiã, pesquisadora pós-doutoranda e professora da Universidade de São Paulo-USP, Diana Santana, abordou a discrepância racial nos dados sobre a doença aneurisma intracerebral, indicando que estudos norte-americanos já apontavam que os negros têm duas vezes mais chances de ter um aneurisma intracerebral e 60% de chances a mais de morrer por este agravo, em relação aos brancos.
A Linha do Cuidado ao Paciente com AVC na Rede de Atenção à Saúde do Estado da Bahia foi o tema escolhido pelo subsecretário Paulo Barbosa para discorrer sobre o olhar da gestão estadual para as doenças cardiovasculares.
Num rápido raio X do agravo na Bahia, Paulo Barbosa apresentou números que corroboram os dados de que o AVC acomete com maior frequência pessoas de cor preta e parda, nas regiões leste e centro-leste, nas quais se concentram os maiores núcleos urbanos do estado. O Estado oferece atendimento na especialidade de neurologia em 21 das 24 policlínicas consorciadas em 411 municípios baianos. Quando se trata de atendimento pelo Serviço de Atendimento Médico de Urgência – SAMU 192, a Bahia tem 89% de cobertura populacional, com 20 Sistemas Regionais e 396 Unidades Móveis, entre unidades básicas e avançadas. Equipes de Atenção Domiciliar cuidam de pacientes em 101 Municípios do estado.
Sobre treinamentos, formação e qualificação, o subsecretário lembrou do 1º Curso de Reperfusão no Infarto Agudo do Miocárdio – IAM/AVC, realizado durante o 36º Congresso de Cardiologia do Estado da Bahia, ocorrido em 16 de maio de 2024, que capacitou mais de 100 profissionais da assistência vinculados a hospitais da rede Sesab.
“Construir a linha de cuidado AVC é uma tarefa complexa, a ser construída a muitas mãos. Mas, os resultados trarão um grande impacto, salvando vidas e evitando sequelas incapacitantes”, finalizou Paulo Barbosa.
19/03/2026 10:52
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