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Páscoa da Esperança: Maternidade de Camaçari leva conforto e acolhimento a mães de bebês internados na UTI Neonatal

18/04/2025 10:07

Sentada na porta da Maternidade Regional de Camaçari (MRC), Tayllane observa as outras mães saindo com seus bebês no colo. É um ritual diário. Ela se imagina ali, caminhando com a pequena Rayllane nos braços, pronta para apresentá-la ao mundo. “Todos os dias, depois do almoço, fico ali projetando que logo vai chegar meu momento”, conta.

É essa a esperança que move as muitas mulheres que passam pelas unidades neonatais da MRC, unidade referência da Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), gerida pela Fundação Estatal Saúde da Família (FESF-SUS). Ao lado das incubadoras, na UTIN (Unidade de Terapia Intensiva Neonatal) e na UCINCo (Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal Convencional), as mães vivem uma realidade delicada — marcada pelo medo, pela distância e por uma avalanche de sentimentos que atravessam o puerpério em situação de internação prolongada.

Foi pensando em suavizar esse percurso que a equipe da MRC organizou, na última quinta-feira, 17, uma ação de Páscoa nas unidades neonatais. O ambiente ganhou cor, afeto e cuidado: um café da manhã especial foi preparado para as mães e os bebês ganharam orelhinhas de coelho, com direito a ensaio fotográfico para compartilhar um pouco do momento com os familiares em casa. A ação, além de simbólica, é parte de um esforço maior da unidade em oferecer acolhimento e suporte emocional às famílias.

“Essas ações trazem o sentimento de pertencimento, como se disséssemos: estamos vendo vocês para além do internamento. É uma forma de construir laços familiares dentro da unidade, ainda que a rotina seja desafiadora”, explica Meury Rodrigues, psicóloga da UTIN e da UCINCo. “Quando a gente fala em cuidado integral, falamos também da saúde mental da mãe, que precisa se sentir acolhida, ouvida e respeitada nesse processo de fragilidade”.

O ambiente neonatal, embora estruturado para salvar vidas, impõe às mães certo afastamento temporário do bebê e o luto por um parto que não segue o roteiro idealizado. “A gente quer parir e ir pra casa. Mas prefiro que ela fique aqui bem cuidada e só saia quando estiver pronta”, afirma Tayllane, que já soma um mês entre idas e vindas da maternidade.

Na mesma rotina de incertezas, Inglid dos Santos, 29, divide o tempo entre os cuidados com o filho mais velho e as visitas diárias aos gêmeos Abner e Asher, nascidos prematuros. “O apoio das outras mães e da equipe da maternidade é o que ajuda a passar por esse processo. Se não fosse por isso, eu não sei o que seria da gente”.

De acordo com Meury, a atuação da psicologia nas unidades fechadas começa logo na chegada das mães. “Há uma sensibilização para que elas compreendam que o bebê está bem assistido e que cuidar de si também é cuidar dele. Trabalhamos com a construção de ferramentas de enfrentamento para lidar com a separação e a incerteza”.

Além do suporte técnico e emocional, a maternidade promove momentos de escuta e fortalecimento coletivo. “Aqui é uma mãe ajudando a outra. Se uma chora, a outra faz rir. E assim a gente vai seguindo”, resume Tayllane.

Referência

Inaugurada em 2022, a Maternidade Regional de Camaçari dispõe de 107 leitos que atendem a diferentes necessidades, desde partos de risco habitual até os de alto risco. São 56 leitos de obstetrícia, 8 para gestação de alto risco e outros destinados à neonatologia, cirurgia ginecológica e plástica, além de leitos de UTI neonatal e unidades de cuidados intermediários (UCI), incluindo o modelo Canguru, que favorece o contato entre mãe e bebê, fortalecendo o vínculo afetivo e o desenvolvimento dos recém-nascidos.

 

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