A amamentação de pessoas trans foi tema do curso de capacitação, realizado pelo Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), na última semana.
Na ocasião, a médica Neuza Gouvêa Shineiter falou sobre os desafios que as pessoas trans enfrentam para amamentar seus bebês, mas afirmou que com o acompanhamento correto, o índice das pessoas que passam a ter leite pode chegar a 80% “com as terapias hormonais, com a estimulação correta”.
Durante o evento, ela destacou a importância de reconhecer a diversidade de corpos e experiências, promovendo uma sociedade mais inclusiva e acolhedora.
Segundo Neuza, a possibilidade de amamentar não é exclusiva de quem nasceu com o corpo considerado padrão. “Cada pessoa trans tem uma história única, mas pode produzir leite”, explica. Ela reforça que mesmo após a transição hormonal ou cirurgias de redesignação sexual, a capacidade de amamentar pode existir, embora dependa de fatores específicos de cada caso.
A médica destaca ainda que a transição hormonal com testosterona, comum entre pessoas trans masculinas, geralmente não impede a lactação, mas pode influenciar na produção do leite. Para as pessoas trans femininas, que passaram por cirurgias de redesignação, a possibilidade de amamentar depende do procedimento realizado e da preservação das glândulas mamárias.
No entanto, Neuza reforça que apesar dessa potencialidade, muitas pessoas trans enfrentam obstáculos para exercer esse direito. “A falta de informações específicas, o preconceito e a ausência de orientações médicas adequadas dificultam que essas pessoas tenham acesso ao suporte necessário”, afirma. Para a médica é fundamental que os profissionais de saúde estejam preparados para oferecer orientações adequadas. “Precisamos capacitar nossos colegas para que possam acolher e apoiar essas pessoas, reconhecendo suas experiências e seus direitos”, defende.
Ao falar sobre o tema, Neuza Gouvêa Shineiter reforça que a amamentação de pessoas trans é uma questão de direitos, saúde e dignidade. “Garantir acesso à informação, ao suporte médico adequado e ao reconhecimento de suas experiências é fundamental”, conclui.
A coordenadora do Banco de Leite do HGRS, Nilma Dourado, destacou a importância de uma equipe treinada para oferecer o suporte necessário a todos os pacientes atendidos no hospital, independente de gênero e/ou orientação sexual.
“Nós temos que estar preparadas para saber orientar e acolher todas as pessoas da melhor maneira possível, com respeito e humanização”, destaca Nilma.
Ela acrescenta que para isso é necessário que as equipes estejam atualizadas e devidamente capacitadas para oferecer um atendimento humanizado.
Ascom do Roberto Santos
18/03/2026 11:45
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