As interseccionalidades de gênero, sexualidade e saúde mental foram discutidas em seminário realizado pelo Hospital Juliano Moreira (HJM), na manhã da última terça-feira (26), no auditório da instituição, em Salvador (BA). Contou com a presença de profissionais e discentes que direta ou intersetorialmente trabalham ou estudam na área da saúde mental.
O evento, organizado pelo Serviço de Psicologia do Hospital Juliano Moreira, foi aberto pelo Diretor Geral da instituição, Dr. Antônio Freire, que chamou a atenção para a importância do tema, bem como do engajamento do HJM no que tange às questões de gênero e sexualidade. A mesa de abertura contou ainda com a participação do Diretor Técnico, Dr. Pedro Gama, da Diretora Médica, Dra. Maíra Moromizato, e do diretor administrativo do HJM, Sr. Wagner Ferraz.
Tema ainda é considerado tabu institucional e social.
Para o coordenador do Ambulatório Trans do Centro Estadual Especializado em Diagnóstico, Assistência e Pesquisa (CEDAP), vinculado à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), Ailton Santos, há desafios para tornar essa consciência política uma prática institucional. “Precisamos de resoluções e portarias que assegurem que o trabalho será realizado de uma forma em que a pessoa será respeitada”, avalia. Dentre algumas sugestões, Santos propõe a criação dos protocolos de cuidados específicos às populações, na assistência de saúde; “considerando as diferenças como estrutural do cuidado e não como doença”, completa
De acordo com Laura Falconi, psicóloga do Ambulatório Municipal Especializado em População LGBTQIAPN+, as diferenças sociais que envolvem gênero e sexualidade precisam ser refletidas pelos profissionais, pois nem sempre serão avaliadas conscientemente por cada um(a). E é pelo exercício da alteridade, de se imaginar no lugar de experiência do outro ser humano, que esta consciência pode se tornar uma prática, segundo o professor de Antropologia e Etnologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Dr. Moisés Lino.
Nessa linha, o médico psiquiatra Tiago Ramacciotti falou sobre a necessidade de se compreender as especificidades dos diagnósticos em saúde mental, para não se subestimar os múltiplos fatores identitários que fazem parte da análise clínica; mas, também, não se classificar estes fatores como diagnósticos estritos de doença. Para a psicóloga clínica Ana Bárbara Neves, superar estes estigmas são cruciais para (re)organização da prática clínica.
Também estiveram presentes no seminário os docentes e estudantes dos cursos de enfermagem, psicologia e pedagogia da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS); e também destes e outros cursos e instituições de ensino e pesquisa.