O Centro Estadual Especializado em Diagnóstico, Assistência e Pesquisa (Cedap) promoveu, nesta segunda-feira (1º), uma programação especial em homenagem ao Dia Mundial de Luta contra a Aids. O evento reuniu profissionais de saúde, representantes de movimentos sociais e organizações da sociedade civil para discutir desafios, avanços e perspectivas na resposta ao HIV/Aids na Bahia.
A abertura foi conduzida pela médica infectologista e diretora do Cedap, Leila Amorim, que compôs a mesa com a presidente da Sociedade Baiana de Infectologia (Sobai), Ana Paula Alcântara; o membro e ativista da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids – RNP+Bahia, Moyses Toniolo; o diretor geral da ONG Motirô BA, Javier Angonoa; e a coordenadora do Núcleo PositHIVas da Motirô BA, Rosária Pirez.
O debate destacou a importância de políticas inclusivas, a necessidade de atenção às mudanças no cenário global que podem comprometer a resposta à epidemia, além da urgência em eliminar barreiras e ampliar o acesso ao tratamento e à Profilaxia Pré-Exposição (PrEP). Ao encerrar a mesa, Leila Amorim reforçou que essa não é uma luta apenas da saúde, mas também uma luta ética e humana.
Na sequência, Moyses Toniolo apresentou uma reflexão sobre o papel dos movimentos sociais ao longo de mais de 40 anos de enfrentamento ao HIV/Aids no Brasil, abordando o histórico da doença no país, a mobilização social por acesso ao tratamento, a evolução das políticas públicas, o trabalho das organizações da sociedade civil, os avanços da terapia antirretroviral e a importância do SUS nesse processo.
A programação seguiu com a palestra de Jacielma de Oliveira Freire, infectologista da Vigilância Epidemiológica do Cedap, que apresentou o panorama do monitoramento de HIV/Aids na unidade, destacando o crescimento dos atendimentos, o uso do painel integrado de monitoramento e a estrutura de busca ativa. Ela reforçou a importância da formalização de fluxos e lembrou sobre a notificação compulsória, enfatizando que monitorar é cuidar e que o Cedap permanece como referência no estado.
Em seguida, a vice-presidente da Sociedade Baiana de Infectologia (Sobai), professora da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e ex-diretora do Cedap, Miralba Freire, trouxe um panorama dos 40 anos de diagnóstico do HIV, abordando a complexidade do desafio, a resposta global, as diferenças entre diagnóstico precoce e tardio e o impacto direto no tratamento. Ela destacou ainda o conceito Indetectável = Intransmissível, além da importância da prevenção e da ampliação do acesso à PrEP.
No período da tarde, a programação contou com duas mesas-redondas compostas pela equipe técnica do Cedap. A primeira reuniu a farmacêutica Leila Marta Andrade, a enfermeira Ana Carolina Morais e a infectologista Jacielma Freire, discutindo o monitoramento de “gap” de acompanhamento e falha terapêutica. A segunda mesa foi formada pela enfermeira Daniela Puonzo, pela psicóloga Guacyra Leal e por Jacielma Freire, abordando o monitoramento de crianças expostas e infectadas pelo HIV.
O evento reafirmou o compromisso do Cedap e da SESAB com a promoção de uma assistência integral, baseada em evidências e sustentada pelo cuidado humanizado. As discussões evidenciaram a importância de fortalecer políticas públicas, aprimorar estratégias de prevenção e ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, sempre valorizando a escuta qualificada, o acolhimento e o respeito às diversidades. A iniciativa reforça o papel do Cedap como referência na resposta ao HIV/Aids na Bahia e seu compromisso contínuo com a vida, a dignidade e os direitos das pessoas atendidas.
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