Na manhã desta terça-feira (28), o auditório da Diretoria de Vigilância Sanitária e Ambiental (Divisa) sediou uma roda de conversa promovida pelo Serviço Integrado de Atenção à Saúde do Trabalhador (SIAST), reunindo representantes de diferentes tradições religiosas, lideranças sociais, educadores e profissionais da saúde. A atividade integrou as ações em alusão ao Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa (21), e teve como foco o fortalecimento do diálogo, do respeito à diversidade e da convivência pacífica como fundamentos para a promoção da saúde.
Durante o encontro, foi ressaltado como a intolerância, o preconceito e a exclusão social impactam diretamente a saúde da população, especialmente a saúde mental, o bem-estar coletivo e o acesso aos serviços públicos. Ao criar um espaço de escuta qualificada e troca de experiências, a roda de conversa reforçou a importância de ambientes acolhedores, do respeito às diferenças e da valorização dos saberes culturais e espirituais como estratégias essenciais para a promoção da saúde e a prevenção de violências.
A discussão também abordou os efeitos históricos e atuais da colonização, compreendida como um processo contínuo que ainda influencia relações sociais, culturais e institucionais. O líder indígena João Payayá destacou o avanço do fundamentalismo religioso em territórios indígenas, alertando para a violação do direito dos povos originários de praticarem livremente seus rituais e expressões espirituais. Segundo ele, esse cenário compromete não apenas a identidade cultural, mas também a saúde, a autonomia e o modo de vida dos povos indígenas.
Durante as falas, Ernesto Cardoso, membro fundador e atual presidente da UNISOES – União de Sociedades Espiritualistas, Filosóficas, Científicas e Religiosas, destacou a necessidade de vivermos em fraternidade, cuidando uns dos outros. Em sua intervenção, trouxe reflexões sobre o significado de religare, do latim, ressaltando a espiritualidade como elemento de conexão entre as pessoas, e mencionou a África como berço da humanidade, reforçando a ideia de que todos somos um só povo, unidos pela mesma origem.
“É possível a união e viver juntos em paz”, afirmou o Sheikh Abdul Hameed Ahmad, ao destacar a tradição do povo muçulmano na convivência harmoniosa entre diferentes culturas e religiões. Em sua fala, o sheikh abordou os estereótipos e o preconceito ainda associados aos muçulmanos, muitas vezes injustamente relacionados ao terrorismo, além de relatar experiências de racismo vivenciadas por ser nigeriano e líder religioso. Ele reforçou a importância do diálogo, do respeito e do enfrentamento à intolerância religiosa e étnica.
O sociólogo e professor da UNEB, Fábio Nogueira, especialista em Teorias Críticas e Negritude, destacou a relação entre intolerância religiosa, racismo estrutural e o adoecimento mental da população, em especial das pessoas pertencentes às religiões de matriz africana. Segundo ele, o preconceito histórico e as constantes violências simbólicas e institucionais afetam diretamente a autoestima, a saúde mental e o acesso dessa população a direitos básicos, tornando o enfrentamento à intolerância uma questão central de saúde pública.
A iniciativa da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), reafirma seu compromisso com a promoção da saúde em sua concepção ampliada, reconhecendo que cuidar da saúde da população também envolve o enfrentamento das desigualdades, do racismo, da intolerância religiosa e de todas as formas de discriminação. A ação reforça o papel do SUS na defesa dos direitos humanos, na inclusão social e na construção de uma sociedade mais justa, diversa e saudável para todos.
10/03/2026 17:24
10/03/2026 10:29
10/03/2026 10:16