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Projeto inovador do Materno-Infantil que utiliza estímulos sensoriais para amamentação ganha atenção internacional

27/03/2026 09:21

A amamentação em um ambiente livre de estresse não é apenas uma questão de conforto, mas, sobretudo, um fator biológico determinante para o sucesso do aleitamento e para o bem-estar da puérpera e do recém-nascido. Um projeto desenvolvido pelas enfermeiras Viviane Barreto e Bárbara Kruschewsky, do Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio, unidade do Governo da Bahia, em Ilhéus, com apoio da direção-geral e da Fundação Estatal Saúde da Família (FESF-SUS), resultou na criação do “Bosque do Aleitamento Materno”.

Trata-se de uma intervenção ambiental não farmacológica e de baixo custo, com a criação de um espaço acolhedor, dedicado ao cuidado, à vida e ao fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê por meio da amamentação.

“O bosque representa um convite ao encontro com a ecologia do cuidado, onde cada gesto de amamentar é reconhecido como um ato de amor, proteção e promoção da saúde”, afirma a diretora-geral do HMIJS, Renata Lordêlo.

A iniciativa beneficiará a Unidade Canguru, o Alojamento Conjunto e, parcialmente, a UTIN. O espaço, que em breve será inaugurado, foi apresentado à diretora de Gestão da Atenção à Saúde (DIGAS) da FESF, Renata Maria Costa, durante visita à unidade.

Valorização de dados

A diretora elogiou a iniciativa, especialmente por se configurar como um projeto com amplo campo de pesquisa, estimulando a produção e a valorização de dados e experiências que contribuam para o avanço científico e o fortalecimento das práticas de cuidado.

Uma sala foi especialmente planejada e preparada com painéis visuais que remetem a uma ambiência de bosque. No local, foram instalados difusores aromáticos, e serão ofertados serviços de musicoterapia, iluminação quente apropriada e materiais educativos, que passarão a ser distribuídos entre as pacientes.

Salvar vidas

Por meio de orientações qualificadas, acolhimento e incentivo às mães e famílias, o bosque pretende fortalecer uma rede de solidariedade que salva vidas, especialmente de recém-nascidos prematuros e de baixo peso. A equipe do hospital passará por capacitação técnica.

Com a iniciativa, as idealizadoras esperam reduzir quadros de ansiedade materna, aumentar a capacidade de ejeção láctea, elevar a satisfação materna e estimular a adesão a práticas culturalmente inclusivas. Destaca-se que o HMIJS é o único hospital da Bahia habilitado para atendimento aos povos indígenas, que historicamente compreendem o cuidado com a vida de forma integrada à natureza.

Pesquisas também indicam que o tempo de recuperação pós-parto tende a ser reduzido nesse contexto.

Benefícios

O projeto, além de integrar estímulos sensoriais a práticas naturalistas, prevê o monitoramento sistemático de indicadores clínicos e psicossociais.

Na semana passada, Viviane e Bárbara visitaram a Maternidade Tsylla Balbino, em Salvador, referência microrregional no atendimento a gestantes de médio risco e unidade credenciada como “Amigo da Criança”, onde o aleitamento materno exclusivo é realizado em sala específica de assistência e atendimento.

No entanto, as idealizadoras destacam que o modelo a ser inaugurado em breve, na unidade de Ilhéus, é considerado “impactante e inovador”, pelas características que apresenta. As duas foram, inclusive, convidadas para apresentar relatos de experiência durante o “1º Congresso Internacional Mame Bem”, evento que tem como propósito “mudar o mundo pela amamentação”. O congresso será realizado em Porto, Portugal, de 8 a 10 de outubro.

Referência

O Hospital Materno-Infantil é a única maternidade 100% SUS da região. Possui porta aberta, leitos de UTI neonatal, unidade semi-intensiva e método canguru, além de uma ala pediátrica com 23 leitos clínicos e 10 leitos de UTI pediátrica, todos regulados.

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