O aumento projetado de mortes por câncer colorretal no Brasil acende um alerta para a importância do diagnóstico precoce. Um estudo publicado na The Lancet Regional Health Américas aponta que o número de óbitos pela doença pode quase triplicar até 2030. Nesse cenário, serviços como os ofertados nas Policlínicas de Escada e Narandiba, unidades da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) geridas pela Fundação Estatal Saúde da Família (FESF-SUS), têm papel central na prevenção e detecção precoce da doença.
As duas unidades oferecem atendimento especializado em coloproctologia, além da realização de exames essenciais como a colonoscopia, considerada o principal método para identificar lesões precursoras do câncer. Em 2025, a Policlínica de Narandiba realizou 2.187 consultas com coloproctologista e 762 colonoscopias. Já em Escada, foram 3.554 consultas e 1007 exames no mesmo período.
O câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso, geralmente a partir de pólipos, lesões inicialmente benignas que podem evoluir ao longo do tempo. Fatores como envelhecimento, alimentação inadequada, obesidade e histórico familiar estão entre os principais riscos.
A médica gastroenterologista e endoscopista Lorena Caires, da Policlínica de Narandiba, destaca que a colonoscopia tem papel fundamental na prevenção. “A indicação formal do exame é a partir dos 45 anos, mesmo sem sintomas. A colonoscopia permite identificar e retirar pólipos antes que eles se transformem em câncer, funcionando como um exame essencialmente preventivo”, explica.
Além da idade, alguns sinais também exigem atenção. “Sangramento nas fezes, dor abdominal persistente, diarreia ou constipação podem indicar a necessidade de investigação, inclusive em pessoas mais jovens”, completa a especialista. Apesar disso, a doença costuma ser silenciosa nas fases iniciais, o que contribui para que cerca de 65% dos casos sejam diagnosticados em estágios avançados.
Mesmo sendo um exame amplamente realizado e seguro, ainda existem receios por parte da população. Lorena reforça que o procedimento é feito com sedação e apresenta baixo risco de complicações. “É um exame rotineiro, realizado há muitos anos. Quando feito com preparo adequado e equipe especializada, é muito seguro. O benefício é muito maior do que o medo que ainda existe”, afirma.
A experiência da costureira Nardir Silva de Jesus, de 62 anos, ilustra a importância do diagnóstico precoce. Ela realizou a primeira colonoscopia aos 49 anos, após perceber sintomas incomuns. “Comecei com um desconforto abdominal e depois veio o sangramento. Procurei atendimento e fui encaminhada para o exame. Fiquei tensa, mas consegui fazer pelo SUS e os pólipos foram retirados. Eram benignos”, relata.
Desde então, Nardir mantém o acompanhamento regular. “Essa já é a terceira vez que faço o exame. O atendimento aqui na policlínica é maravilhoso. Fui bem orientada, desde a consulta com o proctologista, fui acolhida por todo mundo, pela anestesista, recepcionistas, enfermeiras”, conta.
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