Tabagismo

Tabagismo na Bahia

O tabagismo é uma doença crônica causada pela dependência à nicotina, é uma droga psicoativa altamente viciante, encontrada nas folhas de tabaco, sendo a principal responsável pela dependência do fumo. Há diversas formas de uso do Tabaco: mascado, cheirado (rapé), fumado em charuto, cigarros industrializados (incluindo os saborizados), dispositivos eletrônicos para fumar, cachimbo e narguilé (cachimbo de água). Além de impactar diretamente a saúde do usuário, o tabagismo representa um grave problema de saúde pública, afetando também aqueles expostos à fumaça de forma passiva.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, 9,7% da população adulta baiana faz uso de produtos derivados do tabaco, tornando a Bahia o segundo estado com menor prevalência de fumantes do país. Esses dados reforçam a importância de manter e fortalecer as políticas de prevenção e tratamento do tabagismo no estado.

Na Bahia, o controle do tabagismo conta com o apoio da Secretaria Estadual da Saúde, que promove e coordena as ações do Programa Nacional de Controle do Tabagismo.

Tratamento e Acompanhamento para Cessação do Tabagismo

O SUS oferece tratamento para a cessação do tabagismo, este tratamento é ofertado no âmbito municipal, preferencialmente na atenção básica dos municípios. Por meio de acompanhamento psicológico, sessões de apoio cognitivo-comportamental e uso de medicamentos específicos, como a Terapia de Reposição de Nicotina (TRN) e o cloridrato de bupropiona, conforme preconizado no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Tabagismo. O tratamento é gratuito e visa apoiar a pessoa tabagista na superação da dependência e na melhoria da qualidade de vida.

Segundo a Portaria n.571/2013, § 4º, os medicamentos prescritos pelos profissionais de saúde devem ser disponibilizados na própria Unidade Básica de Saúde ou conforme organização da assistência farmacêutica local, devendo ser de fácil acesso ao usuário. Os referidos medicamentos serão adquiridos pelo Governo Federal e distribuídos aos Estados, Distrito Federal, Capitais, onde estes, mediante adesão dos municípios, irão realizar a redistribuição.

Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT)

O PNCT é uma iniciativa do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer (INCA) foi instituído pela Portaria GM/MS nº 502, de 1º de junho de 2023 e tem por objetivo reduzir a prevalência de usuários de produtos de tabaco e dependentes de nicotina e a consequente morbimortalidade relacionada ao consumo de derivados do tabaco, à dependência a nicotina e à exposição ambiental à fumaça do tabaco, por meio de ações de promoção da saúde, prevenção e tratamento do tabagismo e da dependência à nicotina.. O Programa Nacional de Controle do Tabagismo faz parte da Política Nacional de Controle do Tabagismo e tem as seguintes estratégias:

  1. Rede de Tratamento para Tabagistas: de acordo com a Portaria nº 571/2013, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento especializado a pessoas com dependência de nicotina, com abordagens cognitivo-comportamentais e, quando necessário, apoio medicamentoso.
  2. Ambientes Livres de Fumaça: a Lei Antifumo (Lei nº 12.546/2011) proíbe o consumo de produtos derivados de tabaco em locais fechados e parcialmente fechados de uso coletivo, protegendo a saúde de todos os cidadãos.
  3. Campanhas de Conscientização: entre elas, o Dia Mundial sem Tabaco (31 de maio) e o Dia Nacional de Combate ao Fumo (29 de agosto), datas em que a Secretaria reforça as ações de sensibilização para os riscos do tabagismo e a necessidade de políticas públicas eficazes para seu controle.
  4. Programa Saber Saúde: destinado a adolescentes e jovens em idade escolar, esse programa busca prevenir o início do consumo de tabaco entre estudantes, promovendo um ambiente escolar que apoie estilos de vida saudáveis.

Impactos do Tabagismo na Saúde

O consumo de tabaco e seus derivados afeta de forma severa e cumulativa diversos sistemas do organismo. Entre os principais agravos relacionados ao tabagismo estão:

  • Doenças Cardiovasculares: o uso contínuo de nicotina e outras substâncias químicas presentes no tabaco aumenta significativamente o risco de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência vascular periférica.
  • Doenças Respiratórias: bronquite crônica, enfisema e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) são condições diretamente relacionadas ao uso prolongado do tabaco, que também facilita o desenvolvimento de infecções respiratórias graves, como a tuberculose.
  • Cânceres Associados ao Tabaco: o tabagismo é a principal causa de câncer de pulmão e contribui para o aumento do risco de cânceres de boca, laringe, esôfago, entre outros.

Fumo Passivo: Riscos à População Exposta

O tabagismo passivo refere-se à inalação da fumaça do tabaco por pessoas que não fumam, mas que estão expostas ao ambiente onde o tabaco é consumido. Essa fumaça contém substâncias tóxicas e cancerígenas, podendo mesmo em exposições ocasionais, desencadear diversas reações alérgicas e respiratórias, como rinite, conjuntivite e exacerbação de asma. Para adultos, a exposição prolongada ao fumo passivo aumenta o risco de infarto, câncer de pulmão e doenças respiratórias crônicas. Em crianças, o contato constante com a fumaça de tabaco está associado a um aumento de infecções respiratórias, e em gestantes, o tabagismo passivo pode levar a complicações como restrição do crescimento fetal.

Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs)

Os dispositivos eletrônicos, como cigarros eletrônicos e vaporizadores, apresentam formas variadas e funcionam a partir de baterias que aquecem e vaporizam substâncias como nicotina e aromatizantes. Estes produtos possuem também substâncias cancerígenas e com potencial explosivo, metais pesados, além de produtos utilizados na indústria alimentícia.

Apesar de muitos usuários acreditarem que os DEFs são inofensivos devido ao seu design atrativo e sabores, eles também apresentam grandes riscos à saúde. A indústria do tabaco tem promovido esses dispositivos para jovens, utilizando estratégias de marketing que os tornam mais atraentes. Os aditivos conferem sabores e aromas que mascaram a segurança, aumentando o consumo e o potencial de dependência.

Estudos recentes apontam para os graves riscos à saúde associados ao uso de DEFs, incluindo:

  • Intoxicações e Dependência: envenenamento, convulsões, dependência, dentre outras devido à alta concentração de nicotina;
  • Traumas e Queimaduras: traumas e queimaduras (causadas por explosões);
  • Doenças Respiratórias e Cardiovasculares: síndrome respiratória aguda grave – Evali (Lesão Pulmonar Associada ao Uso de Cigarro Eletrônico), doença cardiovascular, câncer, acidente vascular cerebral, disfunção metabólica, asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (enfisema), doenças bucais.

 

Impacto Ambiental

O tabagismo causa impactos ambientais significativos em todas as etapas do ciclo do tabaco, desde o cultivo até o descarte dos resíduos. Em escala global o cultivo do tabaco resulta na destruição de cerca de 200 mil hectares de floresta anualmente, com uso intensivo de pesticidas e fertilizantes, prejudicando o solo e a água. A produção de cada cigarro consome aproximadamente 3,7 litros de água, e a indústria do tabaco emite 84 milhões de toneladas de CO₂ por ano, contribuindo para o aquecimento global. Além disso, cerca de 4,5 trilhões de bitucas de cigarro são descartadas todos os anos, liberando toxinas que contaminam solo e água e afetam a vida marinha.

Impacto financeiro

O tabagismo representa um alto custo para os sistemas de saúde e a economia em geral. De acordo com o estudo “O Custo das Doenças Relacionadas ao Tabaco no Brasil” (2017), desenvolvido pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) em parceria com o Banco Mundial, o Brasil gasta cerca de R$ 56,9 bilhões por ano com o tratamento de doenças atribuídas ao tabagismo, incluindo doenças cardiovasculares, respiratórias e cânceres. Esse valor inclui despesas médicas diretas (hospitalizações, medicamentos, procedimentos) e custos indiretos, como perda de produtividade devido a ausências no trabalho, incapacidades e mortes prematuras de trabalhadores, os custos com o tabagismo sobrecarregam o Sistema Único de Saúde (SUS), já que aproximadamente 15% dos gastos públicos de saúde com doenças crônicas são destinados ao tratamento de condições associadas ao uso de tabaco. Esse montante limita o investimento em outras áreas de saúde preventiva e em melhorias estruturais no sistema.

O impacto econômico Global do tabagismo é ainda mais preocupante. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o custo econômico anual do tabagismo em todo o mundo é estimado em US$ 1,4 trilhão, incluindo tanto gastos diretos de saúde quanto perdas de produtividade. Isso representa cerca de 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) global.

O impacto financeiro do tabagismo é expressivo para o consumidor, com custos acumulados ao longo do tempo que comprometem o orçamento pessoal e familiar. Com base nos valores médios de cigarro no Brasil, uma pessoa que fuma um maço por dia, ao custo de cerca de R$ 8,00 a R$ 10,00 por maço, gasta entre R$ 240 e R$ 300 por mês, ou seja, R$ 2.880 a R$ 3.600 por ano. Em uma perspectiva de longo prazo, esses gastos tornam-se ainda mais significativos: ao longo de 10 anos, esse valor pode chegar a R$ 28.800 a R$ 36.000.

Esses custos financeiros diretos não incluem despesas médicas adicionais que o fumante possa ter devido ao desenvolvimento de doenças associadas ao tabagismo, como problemas respiratórios, cardiovasculares e cânceres. Um estudo do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indica que fumantes gastam, em média, 35% a mais com serviços de saúde do que os não fumantes, devido a tratamentos e medicamentos necessários para controlar as complicações do tabagismo.

Além dos gastos diretos com cigarros e tratamentos de saúde, há o custo da redução da produtividade. Estudos indicam que fumantes perdem, em média, cerca de 6 dias úteis por ano devido a doenças relacionadas ao uso do tabaco, o que impacta o desempenho profissional e a estabilidade financeira.

Esses dados ressaltam a importância econômica de cessar o uso do tabaco, tanto para a economia doméstica quanto para a preservação da saúde e qualidade de vida dos consumidores.

Normativas e Recomendações Básicas – Links

Referências

Ministério da Saúde. “Impacto Econômico do Tabagismo no Brasil.” Disponível em: https://www.gov.br/saude.

World Health Organization (WHO). “Economic Costs of Tobacco Use and Exposure.” Disponível em: https://www.who.int.

Instituto Nacional de Câncer (INCA). “Impactos Ambientais do Tabaco no Brasil.” Disponível em: https://www.inca.gov.br.

Ocean Conservancy. “The Beach and Beyond: Cigarette Butt Pollution.” Disponível em: https://oceanconservancy.org.

World Health Organization (WHO). “Tobacco and its Environmental Impact: An Overview.” Disponível em: https://www.who.int.

Instituto Nacional de Câncer (INCA). “Impactos Ambientais do Tabaco no Brasil.” inca.gov.br

Vídeos

V Capacitação para Gestores do PNCT-BA 13/09/2024

Apresentações

Apresentação Capacitação para Coordenadores do PNCT-BA 23/05/24

Aulas capacitação para o tratamento do tabagismo

Aula Abordagem Mínima/Breve e Básica na Cessação do Tabagismo

Qualificação para implantação do Programa de Controle do Tabagismo na Bahia

Informações e Contato

Para informações sobre os grupos de tratamento para cessação do tabagismo ou outras dúvidas sobre o programa, procure a Secretaria Municipal de Saúde de sua cidade ou entre em contato pelo Disque Saúde SUS: 136.

Secretaria Estadual de Saúde da Bahia

Diretoria de Gestão do Cuidado – DGC/SAIS/SESAB

Endereço: 4ª Avenida, 400 – Centro Administrativo da Bahia, Salvador – BA

Coordenadores Técnicos: Liliane Mascarenhas Silveira e Daiane Monique Lira de França

Telefone: (71) 3115-4284

E-mail: dgc.tabagismo@saude.ba.gov.br

 

Atualizado em dezembro de 2024.