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Cedeba faz reunião de pessoas com Acromegalia, destacando o Dia Mundial das Doenças Raras

24/02/2022 14:53

Fortes  dores de cabeça e no corpo reduziram a qualidade de vida da professora Miralva Barros de Souza Viana, 45 anos, desde a adolescência. Depois  veio o diagnóstico de diabetes: apesar das doses  elevadas de insulina, a glicemia não era controlada. Hospitalizações e perda excessiva de peso foram alguns dos muitos problemas que vieram na sequência. Há dois anos, Miralva vem sendo acompanhada no Cedeba, onde teve o diagnóstico de  acromegalia: uma doença rara que acomete apenas 3,3 casos por milhão de pessoas ao ano.

Em 2020, a professora realizou a cirurgia para retirada do tumor (benigno) da hipófise – que se desenvolve com produção exagerada do hormônio do crescimento (GH). Depois da cirurgia, ela continua o  tratamento no Ambulatório de Neuroendocrinologia do Centro de Diabetes e Endocrinologia da  Bahia (Cedeba), onde conta com a assistência da equipe multidisciplinar e medicamento (injeção  mensal para o controle da doença).

Miralva  participou, ontem, da reunião no formato híbrido – presencial, para  as  pessoas  com acromegalia que tiveram consultas no Cedeba –, e remota  para  os demais usuários do ambulatório de Neuroendocrinologia. As reuniões, suspensas desde o início da pandemia, foram retomadas para marcar o  Dia Mundial das Doenças Raras, 28 de fevereiro.

Segundo a líder do ambulatório de Neuroendocrinologia, Flávia Resedá, essas reuniões são importantes porque permitem a ampliação de conhecimento, troca de experiências e discussão sobre os direitos dos pacientes. “Estamos todos juntos para assegurar o tratamento de  vocês da melhor maneira possível”, afirmou Flávia. Os participantes que se manifestaram disseram estar muito felizes com a retomada das reuniões. A presidente da ABAMPS (Associação Baiana dos Amigos da Mucopolissacaridose), Marcia de Oliveira, também presente à reunião, considerou o encontro muito importante.

Atendimento multidisciplinar

No Cedeba – unidade da Secretaria da Saúde  do Estado da Bahia – Sesab-, referência  para o tratamento da acromegalia e gigantismo, são acompanhadas mais de 100 pessoas com acromegalia. Além  do  atendimento  multidisciplinar, é dispensada medicação de alto custo. A partir da descentralização da dispensação,  a medicação (injeção que é aplicada pela equipe de enfermagem), passou a ser feita no interior, ficando no CEDEBA o atendimento das pessoas da capital e Região Metropolitana. O tratamento da  acromegalia  é muito importante, como explica a endocrinologista Flávia Resedá: “Caso o paciente com acromegalia não seja tratado, a morte passa a ser duas a quatro vezes maior que na população em geral. Como a hipófise é o centro do controle da produção dos hormônios, o aumento excessivo do GH contribui inclusive para o diabetes. Entre os distúrbios associados à doença estão: hipertensão, insuficiência cardíaca, fraqueza, dor de cabeça, alteração visual, depressão e alteração de humor”, explicou.

Alguns sinais de alerta  que podem indicar a presença da acromegalia são o aumento do nariz, orelha, pés e mãos. Pode ainda haver espessamento da pele e suor excessivo, aumento da oleosidade da pele e de pelos. O ronco também pode ser um sinal de alerta. Quando a acromegalia se manifesta em pessoas jovens, se não houver tratamento, elas crescem exageradamente – gigantismo – atingindo altura de até 2,20 metros.

Os pais devem ficar atentos caso percebam que o crescimento da criança está sendo exagerado. O gigantismo dificulta a realização de tarefas simples como entrar num carro ou andar de ônibus. Os portadores tendem a apresentar problemas na coluna pela inadequação dos móveis que os obrigam a sentar numa postura que leva a dores ósseas e articulares. Como a acromegalia provoca o crescimento das extremidades, o acompanhamento com o cirurgião bucomaxilo também é importante, pois há casos em que é necessária a cirurgia para redução da mandíbula. A oclusão não satisfatória pode interferir na digestão.

Segundo  a endocrinologista Fabiana Freire, o tratamento inicial da acromegalia é cirúrgico, com a retirada do  tumor da hipófise. Há casos  em que a cirurgia  resolve o problema, mas na maioria dos casos é preciso continuar o  tratamento com injeções mensais. E, alguns casos, o tratamento é feito com Radioterapia.

“É muito importante que cada pessoa se cuide, tomando conta da sua doença, mas  é preciso o cuidado de nós todos, nós por todos”, afirmou Michele Vieira, psicóloga da equipe multidisciplinar do Ambulatório de Neuroendocrinologia.

Saiba mais

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde ( OMS) são consideradas doenças raras aquelas que afetam até 65 de cada 100 mil pessoas.  Estima-se que existam entre seis a oito mil diferentes tipos de doenças raras em todo o mundo. As  causas de doenças raras  ainda são desconhecidas, mas estudos apontam que 80% têm origem genética. Outros fatores que podem desencadear esse tipo de doença são infecções bacterianas ou virais e infecções alérgicas ou ambientais. A grande maioria das doenças raras  não tem cura. O tratamento consiste em aliviar os sintomas e estabilizar o quadro. Para o diagnóstico, o paciente chega a consultar até 10 médicos de diferentes especialidades. O ideal é o tratamento multidisciplinar, envolvendo profissionais  de diversas especialidades como médico, psicólogo, assistente social e enfermeiro.

Fonte: Ascom/Cedeba

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