A mensagem da fundadora e diretora do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba), Reine Chaves, na celebração dos 30 anos do Centro de Referência, nesta segunda-feira (25), pela manhã, trouxe muitos números e dados importantes sobre “a caminhada de sucesso de um sonho coletivo que se transformou em realidade, avançou os muros do nosso Estado e foi além das fronteiras do nosso país”. O Cedeba nasceu pequeno, numa sala do Anexo do Hospital Geral Roberto Santos, e cresceu a ponto de ocupar com propriedade a sede atual, de 3,5 mil metros quadrados, no Centro de Atenção à Saúde (CAS).
Na celebração de três décadas do Cedeba, marcada por muita emoção pelo reencontro com os servidores aposentados e também pelas homenagens in memoriam, o subsecretário estadual da saúde, Paulo Barbosa, representou a secretária Roberta Santana. Ele destacou a excelência do trabalho do Cedeba, prometeu dar encaminhamento aos novos avanços necessários ao Centro e defendeu que a experiência exitosa do Cedeba seja replicada para grandes municípios da Bahia.
A celebração começou com o descerramento da placa comemorativa, seguida da exibição de um vídeo com a caminhada do Cedeba. Depois da apresentação de Reine, da mensagem do presidente da Regional Bahia da Sociedade Brasileira de Diabetes, Alexis Guedes, e do subsecretário da Saúde, os parabéns para o Cedeba foram cantados, sendo servido um bolo diet.
Sonho
Quando o pequeno grupo de profissionais de saúde sonhou em “tornar a saúde pública do nosso estado acessível e de qualidade para pessoas com diabetes e outras doenças endócrinas, o cenário era de cuidados com a criança e controle da natalidade na saúde da Bahia. Vislumbrando a perspectiva na transição epidemiológica, sabíamos que as doenças infecciosas seriam rapidamente ultrapassadas em números pelas doenças crônicas, especialmente as cardiovasculares, em que o diabetes já se destacava como principal fator de risco”, destaca Reine Chaves, que é endocrionologista.
No dia 24 de março de 1994, na gestão do secretário Otto Alencar, nasceu o Cedeba, que não parou de avançar nestes 30 anos. Da pequena sede no Roberto Santos, o Cedeba foi para uma sede no Rio Vermelho, três anos após a fundação. Nessa época, o Cedeba já tinha o reconhecimento no Estado. Haviam sido capacitados 73% dos 417 municípios do Estado. Na nova sede, um dos sonhos foi realizado – a implantação da farmácia básica, com a distribuição de medicamentos para controle glicêmico, hipertensão arterial e dislipidemia.
Depois, vieram os convênios estaduais com a Associação Bahiana de Medicina, nacionais com a Sociedade Brasileira de Diabetes e a Federação Nacional das Associações e Entidades de Diabetes, e depois os internacionais, com International Diabetes Center (IDC) e Organização Mundial da Saúde (OMS); Organização Mundial e Panamericana de Saúde (OPAS) e Fundação Mundial de Diabetes (WDF), cumprindo a missão de treinar e capacitar profissionais de saúde em todo o Estado com uma rede hierarquizada de assistência aos diabetes na Bahia.
Quando o Cedeba chegou à atual sede, já tinha o reconhecimento nacional e internacional. ”Recebemos o título de primeiro centro colaborador da OMS no Brasil, terceiro na América latina e 24º no mundo”, destaca Reine Chaves. O Cedeba cresceu com a consolidação da visão da multidisciplinaridade e ampliação das especialidades médicas, proporcionado às pessoas com diabetes atendimento integral: cardiologia, nefrologia, urologia, ginecologia, angiologia, oftalmologia, além de odontologia especializada e endocrinologia pediátrica. A equipe multidisciplinar, além de enfermeiros, passou a contar com nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos. Conta também com fisioterapeutas, farmacêuticos e pedagogos.
Com o olhar na educação, o Cedeba conta com Brinquedoteca para crianças e adolescentes com diabetes. A equipe de educação do Cedeba produziu vasto material educativo: jogos, cartilhas, pôster e vídeos, incentivando o autocuidado, a partir de mais conhecimento sobre diabetes.
Experiência modelo
O Cedeba foi o primeiro Centro Estadual a conduzir um estudo para criar o protocolo de distribuição de análogos de insulina, experiência que foi modelo para outros estados. O Cedeba também passou a ser responsável pela análise e dispensação de medicamentos de alto custo e acompanhamento de processos para tratamento de 20 patologias endócrinas contempladas pelo Ministério da Saúde, com média mensal de 2,7 mil pacientes assistidos.
Em 2010, um novo avanço, com a criação da Residência Médica, considerada hoje uma das melhores do país. O ensino e pesquisa, parte da missão do Cedeba, segundo destacou Reine, trouxeram importante colaboração para o Estado. Entre 2007 e 2022, o centro recebeu 967 estagiários e, nos últimos quatro anos, 37 residentes de medicina da família e comunidade passaram pelo local.
O tratamento para pessoas com obesidade também avançou com a criação do Núcleo de Obesidade e o fluxo para cirurgias bariátricas no SUS, “fazendo mais uma vez a diferença na saúde pública da Bahia”, segundo a diretora do Cedeba. O serviço avançou e tornou-se primeiro centro brasileiro a ser referência internacional através do projeto Ascend de cooperação técnica internacional, celebrado com a Associação Europeia para Estudos da Obesidade (Easo).
A capacitação dos profissionais da Atenção Básica em parceria com a Escola de Saúde Pública da Bahia (ESPBA) também avançou. Em 2022, chegou a 291 municípios (69,8%), passando para 314 em 2023 (74,3%). Através dos programas de educação, foram promovidas a prevenção e capacitação das comunidades para o autocuidado e o controle da própria saúde.
Agradecimentos
A diretora do Cedeba concluiu sua mensagem na celebração dos 30 anos do centro agradecendo a todos os colaboradores – da ativa, aposentados e os já falecidos. Um momento de muito emoção foi a homenagem in memoriam à coordenadora de eventos da Sesab, Lúcia Alencar, que sempre estava presente na organização dos eventos do Cedeba.
Estiveram presentes à celebração dos 30 anos do Cedeba, dentre outros, o ex-secretário da Saúde, Fábio Villas Boas; o presidente da Academia de Medicina da Bahia, César de Araújo Neto; e a diretora da ESPBA, Marilia Fontoura.
Ascom/Cedeba
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