Ao perder o pai em meados de junho, o jovem Jonathan dos Santos não imaginava que seria possível transformar a dor da despedida em um gesto de solidariedade. Foi no momento mais difícil que ele conheceu o poder da doação de órgãos e encontrou um novo significado para o luto.
A acolhida aconteceu no Serviço de Verificação de Óbito (SVO), vinculado à Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) e gerido pela Fundação Estatal Saúde da Família (FESF-SUS). Integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e parte da estrutura de vigilância em saúde do estado, o SVO atua na identificação das causas de mortes naturais, mas também cumpre um papel fundamental no estímulo à doação de córneas.
Com uma equipe multidisciplinar treinada para acolher e orientar familiares, a unidade vem se destacando pela escuta atenta, pela empatia e por uma parceria consolidada com o Banco de Olhos da Bahia, que tem tornado o processo de doação ainda mais humanizado.
“Aqui eles me explicaram tudo, tiraram minhas dúvidas e esclareceram que não haveria nenhuma alteração visível no corpo do meu pai. Nossa família foi muito bem acolhida e optamos pela doação das córneas. Ele participava de projetos de boxe, ajudava na igreja, sempre apoiando quem precisava. Saber que, mesmo após partir, meu pai ajudou outra pessoa é algo que conforta”, conta Jonathan, emocionado ao receber a carta de agradecimento.
Segundo a diretora do SVO, Ita de Cássia Aguiar, o serviço tem investido na humanização dos processos, acolhendo com sensibilidade e oferecendo suporte técnico e emocional. “Nossa equipe atua com carinho e profissionalismo, explicando todos os trâmites e respeitando o tempo de cada família. A solidariedade dessas pessoas tem um impacto real: apenas nos últimos seis meses, registramos 37 doações de córneas”, afirma.
Carta que acolhe e agradece
Como forma de reconhecer e valorizar os gestos de generosidade, o SVO passou a entregar uma carta de agradecimento às famílias doadoras. “Pensamos na carta como uma maneira de enaltecer esse ato tão bonito que é a doação. Nela, destacamos que, mesmo em um momento de dor, a família escolheu transformar a despedida em esperança. Dizer ‘sim’ à doação é um gesto que permanece, um legado que ecoa”, explica Ita ao ressaltar que mais de 1,7 mil pessoas aguardam por um transplante na Bahia.