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CREASI alerta para riscos da desidratação em idosos no verão

02/02/2026 10:15

Nos períodos de calor intenso a hidratação deve estar em foco, sobretudo no verão baiano em que as temperaturas podem atingir a faixa dos 38°C, com sensação térmica acima dos 40°C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). A previsão é que 2026 seja um dos cinco anos mais quentes já registrados. Nesse contexto, o Centro de Referência Estadual de Atenção à Saúde do Idoso (CREASI) alerta que o cuidado deve ser redobrado com pessoas idosas, mais suscetíveis à desidratação, condição que pode ser fatal.

Por que idosos estão suscetíveis à desidratação?

O envelhecimento provoca alterações fisiológicas, fazendo com que o corpo não funcione da mesma forma. De acordo com a nutricionista do CREASI Juliana Peixoto, ocorre uma redução da sensação de sede, começam a aparecer algumas alterações no hipotálamo – região do cérebro que regula a sede – fora as alterações cognitivas que também se tornam mais presentes, o que leva a menor ingestão de água.

Somam-se a isso a desregulação hormonal, a diminuição da função renal e a falta de controle voluntário da micção, que favorecem a perda excessiva de fluidos. Algumas condições de saúde comuns nessa faixa etária, como hipertensão arterial e constipação intestinal, podem demandar o uso de medicamentos diuréticos e laxantes, intensificando a eliminação de líquidos. Além disso, problemas cognitivos e dificuldade de deglutição podem comprometer a ingestão adequada de líquidos e diminuir o consumo de água ao longo do dia.

Sinais de desidratação e suas consequências

A desidratação pode se manifestar por sintomas como confusão mental, dor de cabeça, fraqueza, sonolência e tontura. Outros sinais de alerta incluem redução do volume urinário e urina mais escura, boca e olhos secos, pele ressecada ou menos elástica, mucosas pálidas, intestino lento e fezes ressecadas. Em quadros mais graves, a condição pode evoluir rapidamente e exigir atendimento médico imediato.

As consequências da desidratação estão associadas ao aumento das taxas de hospitalização e mortalidade entre pessoas idosas. Em pacientes que sofreram AVC, por exemplo, a desidratação está relacionada a piores desfechos clínicos e maior risco de evolução desfavorável. Mesmo quadros leves de desidratação podem comprometer funções cognitivas, provocando dificuldades de memória, atenção e concentração, além de reduzir o tempo de reação.

A condição também pode intensificar a sensação de cansaço e elevar o risco de quedas. Pessoas idosas desidratadas são ainda mais suscetíveis ao desenvolvimento de úlceras por pressão e a outras complicações cutâneas, como ressecamento e coceira. Além disso, a desidratação também está associada a maior risco de infecções urinárias, lesões renais e constipação intestinal severa.

Como estimular a ingestão de água?

Para estimular a hidratação, a nutricionista Juliana Peixoto indica: “Oferecer água saborizada é sempre a melhor opção, pode acrescentar limão, hortelã ou frutas. Pode também oferecer chás gelados sem açúcar ou água de coco”. A alimentação também pode contribuir, a nutricionista recomenda refeições leves, com saladas, legumes e frutas ricas em água – como melancia, laranja, melão, abacaxi, maçã, pepino, alface, tomate e abobrinha – ajudam a complementar a ingestão de líquidos.Outra recomendação importante éevitar excesso de café, álcool e refrigerantes pois estimulam a produção de urina.

No CREASI, durante o verão, são ampliadas as medidas educativas com recomendações que incluem uso de roupas leves; hidratação rigorosa; uso de filtro solar; alimentação leve; higiene corporal e atividades físicas em ambientes ventilados e horários como início da manhã ou final de tarde. As orientações em atividades de sala de espera propõem degustação de água saborizada, estimulando a hidratação rigorosa, oferecendo de forma fracionada para facilitar a aceitação.

Na hidratação, um cálculo simples que pode ajudar é multiplicar 0,035 litros pelo peso corporal. Por exemplo, uma pessoa idosa com 50 kg deve consumir, no mínimo, 1,75 litro de água diariamente. E um lembrete importante: Em períodos de calor intenso, na presença de doenças crônicas ou em condições específicas, esse volume pode precisar de ajuste, com orientação de um profissional de saúde.

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