A vigilância em saúde ainda enfrenta um desafio silencioso na Bahia: desfazer a ideia de que seu papel se resume à fiscalização e à aplicação de multas. Para muitos, a imagem mais comum está associada apenas à vigilância sanitária responsável por inspecionar estabelecimentos. Na prática, no entanto, essa é apenas uma parte de um trabalho muito mais amplo, estratégico e essencial para a proteção da vida.
Coordenada pela Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde (SUVISA), vinculada à Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), a vigilância em saúde atua de forma integrada, com ações que vão desde a prevenção até a resposta a eventos que impactam a saúde coletiva. O objetivo é proteger a população antes mesmo do surgimento de doenças e atuar de forma oportuna quando elas já estão presentes.
Mais do que fiscalizar, a vigilância orienta, educa e previne. Em áreas com aumento de casos de doenças transmitidas por vetores, como mosquitos, barbeiros e moscas, as equipes atuam diretamente nos territórios para identificar fatores de risco, orientar a população e adotar medidas que interrompam a cadeia de transmissão. Trata-se de um trabalho baseado na escuta ativa, na construção de vínculos e na corresponsabilidade entre poder público e comunidade.
As ações se distribuem em diferentes frentes. A vigilância epidemiológica realiza o monitoramento de doenças e agravos, investiga surtos e coordena medidas de controle. A vigilância ambiental acompanha fatores como a qualidade da água, do ar e a presença de vetores. Já a vigilância em saúde do trabalhador atua na identificação e prevenção de riscos relacionados aos ambientes e processos de trabalho.
No campo da vigilância sanitária, as inspeções têm caráter prioritariamente educativo e preventivo. Estabelecimentos como restaurantes, farmácias e serviços de saúde são orientados quanto ao cumprimento das normas, com prazos para adequação e diálogo permanente. A aplicação de penalidades ocorre quando necessário, mas não constitui o eixo central da atuação.
A estrutura da vigilância em saúde na Bahia também conta com serviços estratégicos. O Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) desempenha papel fundamental na investigação de mortes sem causa definida, contribuindo para a qualificação das informações em saúde e o direcionamento de políticas públicas. O Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (LACEN-BA), por sua vez, é referência na realização de exames laboratoriais que subsidiam a detecção, confirmação e o monitoramento de doenças em todo o estado.
Durante a pandemia de COVID-19, o LACEN-BA teve atuação decisiva ao ampliar a capacidade diagnóstica, garantir a realização de testes em larga escala e fornecer resultados em tempo oportuno para orientar decisões sanitárias. O laboratório foi essencial para a vigilância epidemiológica, permitindo o acompanhamento da evolução dos casos, a identificação de variantes e a adoção de medidas de controle mais eficazes, reforçando seu papel estratégico no sistema de saúde.
Outro avanço importante no estado é a consolidação da equipe de resposta rápida em saúde, estruturada para atuação imediata em emergências, como surtos, epidemias e desastres ambientais. Esses profissionais são mobilizados para atuar diretamente nos territórios, em articulação com os municípios, oferecendo suporte técnico, investigação qualificada e implementação de ações de controle. Exemplos disso foram as atuações em, Lauro de Freitas, Camacã, Morro de São Paulo, Uauá, entre outros municípios afetados.
Em cenários críticos, a integração entre vigilância epidemiológica, laboratorial, ambiental e assistência é determinante para a efetividade das ações. A presença dessas equipes nos territórios reforça o caráter prático, resolutivo e orientado ao cuidado da vigilância em saúde.
Desmistificar a vigilância em saúde é reconhecer seu papel estratégico no Sistema Único de Saúde (SUS): o de promover, prevenir e proteger. Mais do que fiscalizar, trata-se de uma atuação contínua, baseada em evidências e comprometida com a garantia de condições de vida mais seguras e saudáveis para a população baiana.
A vigilância em saúde é, portanto, presença permanente, resposta oportuna e proteção cotidiana um elo fundamental entre o sistema de saúde e a vida da população.