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‘Entrevistas preliminares no início do tratamento’ foi tema de palestra no Hospital Juliano Moreira

06/10/2025 09:41

“Resgatar a posição subjetiva do paciente”: nessa perspectiva o psiquiatra Marcelo Frederico Veras discorreu sobre a importância das entrevistas preliminares no início do tratamento em saúde mental, durante a palestra realizada no auditório do Hospital Juliano Moreira (HJM), na manhã desta sexta-feira (3), em Salvador (BA). Médico com mestrado em Psicanálise, pela Université Paris 8, e doutorado em Psicologia, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Veras comentou sobre contextos em que os sujeitos vivem experiências, se identificam e apresentam como demandas terapêuticas nos serviços de saúde mental.

A abertura do evento foi conduzida pelo diretor administrativo e psicólogo, Wagner Ferraz. Na sequência, o diretor geral do HJM, o médico psiquiatra Antônio Freire fez a mediação dos diálogos. Também estiveram presentes a diretora clínica, Maíra Moromizato e o diretor técnico, Pedro Gama, funcionários e estudantes.

Para o diretor geral, a palestra marca a importância da escuta ativa e qualificada dos profissionais de saúde mental no acolhimento aos pacientes e à comunidade. Freire lembrou que o HJM realiza um trabalho intersetorial seguindo protocolos que são resultantes das diversas áreas do conhecimento. Mas, frisou que o tema do evento é um convite a se olhar o sujeito por várias dimensões, prospectando e reconhecendo os múltiplos fatores e condições que configuram um quadro clínico: “em diálogo com este sujeito, mobilizamos equipes multiprofissionais para atendê-los com maior assertividade a partir das suas experiências”.

Nessa linha, o palestrante do evento apontou a necessidade de se valorizar o tratamento psicanalítico em diversos níveis e setores da saúde mental: “precisamos superar aquela ideia de que o psicanalista está só ali no divã do consultório dele; mostrando a força da entrevista preliminar psicanalítica no hospital psiquiátrico”. Contudo, também reforçou sobre a importância do procedimento às equipes multiprofissionais para se qualificar diagnósticos. “É quando vamos descobrir coisas que o paciente não irá mais repetir, que ele fala uma única vez. Assim, elevamos o discurso do paciente e a dignidade de uma escuta”, explicou.

Por isso, Dr. Veras salientou ainda que uma entrevista preliminar, além de fazer parte dos diagnósticos, também é terapêutica, ou seja, “é o grau de crítica que o paciente pode ter sobre si mesmo, tanto pelo que se passa na cabeça dele como pelo mundo que o afeta”. Assim, cada encontro entre paciente e profissional de saúde mental se torna uma novidade – “até o que já passou pela mesma unidade de saúde”, de acordo com o pesquisador.

Marcelo Veras foi diretor geral do Hospital Juliano Moreira, entre os anos 2000 e 2007. Partindo da sua experiência, ele avalia que entrevistas preliminares integram o acolhimento: “é aquele primeiro momento em que você vai definir, muitas vezes, o destino do paciente dentro de uma instituição”. Sua exposição sobre a integralidade dos cuidados em saúde mental por meio das entrevistas preliminares continuará ecoando pelo HJM, desde então.

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