Violência Sexual – O que fazer?

Se você sofreu violência sexual, o que fazer?

Se você sofreu uma violência sexual, deve procurar um serviço de saúde com atendimento especializado em violência sexual imediatamente. Estes serviços oferecem um atendimento completo, de saúde física e psicológica. Caso deseje, pode registrar depois um boletim de ocorrência em uma delegacia, sendo importante salientar que este registro não é obrigatório.

O ideal é buscar um hospital até 72 horas após a violência para receber atendimento médico o mais rápido possível e apoio de uma equipe de psicólogos e assistentes sociais. A pessoa sobrevivente passa por uma coleta de sangue para verificar se contraiu alguma infecção sexualmente transmissível (IST), como gonorreia, sífilis e HIV. Para as ISTs, a pessoa receberá medicamentos de profilaxias, para prevenir o contágio, podendo também receber orientação quanto a vacinas, como a da Hepatite B e HPV.

As pessoas que têm útero, se estiverem em idade reprodutiva, recebem também uma contracepção de emergência, a chamada pílula do dia seguinte. Por isso, o atendimento médico até 72 horas após a violência é de extrema importância, já que quanto mais longe do contágio, menos efeito esses remédios fazem.

Mas mesmo quando o prazo de 72 horas já passou, a pessoa deve buscar atendimento. Será realizado um exame de sangue para identificar possíveis contágios para ISTs e será encaminhado para tratamento caso seja necessário.

 

Se eu procurar o atendimento médico serei obrigada (o) a denunciar a pessoa que agrediu?

Nenhum serviço de saúde exige que a pessoa adulta sobrevivente da violência sexual seja obrigada a fazer denúncia, realizar boletim de ocorrência ou noticiar o fato à polícia para ser atendida. Caso isso aconteça, é possível acionar as Ouvidorias das Secretarias de Saúde, o Ministério Público ou a Defensoria Pública.

No caso de crianças, adolescentes, pessoas idosas ou com deficiência, os profissionais de saúde são obrigados a comunicar órgãos de proteção (Conselho Tutelar, Ministério Público, Conselhos de Direitos) para garantir que a pessoa sobrevivente seja protegida de novas agressões.

Como é o atendimento?

O primeiro passo do atendimento é o acolhimento, e o registro das informações que a pessoa quiser compartilhar. Após este passo, a pessoa será encaminhada para o atendimento médico, quando serão colhidos exames clínicos e ginecológicos, a depender da necessidade de cada situação.

Alguns testes para checar se há alguma Infecção Sexualmente Transmissível (ISTs) serão realizados, e medicamentos para contracepção e para evitar a contaminação por essas infecções podem ser oferecidos. O profissional médico deve checar a cobertura vacinal, e caso seja necessário, indicar vacinação para Hepatite B, HPV e/ou Tétano. Outros exames podem ser solicitados, mas tudo depende do quadro clínico da pessoa em tratamento e suas necessidades de saúde.

Além disso, será oferecido apoio psicossocial, e encaminhamentos para outros serviços da rede, de acordo com as necessidades identificadas.

Caso haja qualquer dúvida durante o processo, é muito importante que consulte os profissionais que estão participando do atendimento!

 

E se a violência sexual resultar em gravidez?

Quando ocorre uma gravidez decorrente de violência sexual, existe a possibilidade prevista em Lei de se interromper a gestação de modo seguro em hospitais especializados, bem como de manter a gestação até o seu fim, seja incluindo a criança no seio familiar ou exercendo seu direito de entregá-la para a adoção.

A escolha de prosseguir com a gestação resultante de violência sexual deve ser acolhida e respeitada pela equipe de saúde. Nessas situações, cabe à equipe realizar o devido encaminhamento da pessoa atendida para o acompanhamento pré-natal, seja no próprio hospital onde ocorreu o atendimento inicial ou na rede de atenção básica do município de residência. Além do direcionamento ao pré-natal, é fundamental assegurar a vinculação com os serviços existentes no território, de forma que a pessoa possa ter acesso ao cuidado integral em saúde (incluindo o psicológico) e ao suporte da assistência social.

Saiba mais

Caso a escolha tenha sido pela entrega voluntária para adoção, clique em Entrega Voluntária para mais informações.

Clique em Interrupção legal da gestação para mais informações sobre aborto legal.

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