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Quando a emergência bate à porta, os animais também precisam fazer parte do plano

09/06/2026 14:21

A imagem de famílias deixando suas casas às pressas durante enchentes, incêndios ou deslizamentos costuma mobilizar a atenção de todos. Mas, em meio à urgência da saída, uma situação ainda é frequente em cenários de desastre: animais que acabam ficando para trás. Na maioria das vezes, isso não acontece por abandono, mas pela falta de planejamento para uma evacuação que inclua também os pets e outros animais sob os cuidados da família.

Por isso, a Vigilância em Saúde tem reforçado uma orientação que pode parecer simples, mas faz toda a diferença quando o tempo é curto: os animais devem fazer parte do plano de emergência da casa. Assim como documentos, medicamentos e itens essenciais precisam estar organizados para uma eventual saída rápida, os cuidados com os animais também devem ser pensados antes que a situação aconteça.

Ter uma caixa de transporte para cada animal, coleira e guia para os cães, identificação visível contendo o nome do animal e o telefone do tutor, além de uma pequena reserva de água e alimento, pode facilitar o deslocamento e aumentar a segurança durante a evacuação. Entre esses itens, a caixa de transporte merece atenção especial. Além de evitar fugas em momentos de estresse, ela facilita o trabalho das equipes de resgate, torna o transporte mais seguro e pode ser uma exigência para o acolhimento em abrigos temporários.

Quando não for possível retirar o animal imediatamente do local, a recomendação é informar a situação às equipes de resgate, à Defesa Civil ou a pessoas próximas que possam auxiliar. Também é importante deixar alguma identificação visível indicando a presença dos animais. Essas informações podem acelerar o resgate e aumentar as chances de reencontro após a emergência.

Cada espécie também demanda cuidados específicos. Cães e gatos devem permanecer em locais protegidos, sem correntes ou amarras que possam impedir sua movimentação em situações de risco. Animais de grande porte, como cavalos, bovinos e caprinos, devem ser retirados de currais e levados para áreas abertas, elevadas e seguras. Já aves de criação, como galinhas, podem ser mantidas soltas em locais altos para reduzir o risco de afogamento. Pássaros, peixes ornamentais, coelhos e pequenos roedores não devem ser soltos, devendo permanecer em gaiolas, viveiros, aquários ou recipientes adequados posicionados em locais seguros.

Uma medida simples, mas frequentemente esquecida, também pode ajudar muito em situações de desastre: manter fotografias recentes dos animais armazenadas no celular. As imagens facilitam a identificação durante operações de busca e resgate e podem ser decisivas para localizar animais que se perderam durante a evacuação.

Para a Vigilância em Saúde, a proteção dos animais em situações de desastre está diretamente relacionada ao conceito de Saúde Única, que reconhece a conexão entre a saúde humana, animal e ambiental. Planejar uma evacuação considerando todos os membros da família, inclusive aqueles que dependem integralmente dos seus tutores, contribui para reduzir riscos, minimizar o sofrimento e fortalecer a capacidade de resposta das comunidades diante de eventos extremos.

Afinal, quando uma emergência acontece, cada minuto conta. E estar preparado pode significar não apenas salvar bens materiais, mas garantir que ninguém fique para trás.

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